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MEUS FILMES DO ANO


1. Melancolia
(de Lars von Trier, com Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg)

2. Além da Vida
(de Clint Eastwood, com Matt Damon e Cécile De France)

3. Um Novo Despertar
(de Jodie Foster, com Mel Gibson e Jodie Foster)

4. A Pele que Habito
(de Pedro Almodóvar, com Antonio Banderas e Elena Anaya)

5. O Vencedor
(de David O. Russell, com Mark Wahlberg e Christian Bale)

6. Sentimento de Culpa
(de Nicole Holofcener, com Catherine Keener e Oliver Platt)

7. Todo Mundo Tem Problemas Sexuais
(de Domingos Oliveira, com Pedro Cardoso e Cláudia Abreu)

8. Inverno da Alma
(de Debra Granik, com Jennifer Lawrence e John Hawkes)

9. Fúria sobre Rodas
(de Patrick Lussier, com Nicolas Cage e Amber Heard)

10. Vejo Você no Próximo Verão
(de Philip Seymour Hoffman, com Philip Seymour Hoffman e Amy Ryan)

TODO PAPAI TEM PINGUINS SEXUAIS


É possível ser feliz no amor - e livre no sexo? Esta é a questão central de Todo Mundo Tem Problemas Sexuais, outro bom exemplar do cinema "caseiro" do Domingos Oliveira.

Como é de praxe em sua trajetória, a ordem aqui é reunir os amigos, filmar em apartamentos (ou na rua mesmo) e, acima de tudo, gastar pouquíssimo dinheiro. A diferença, dessa vez, é que se trata da adaptação de uma peça de teatro, com trechos dos ensaios e do próprio espetáculo levados à tela.

Ainda assim, o resultado é tão precário, tecnicamente falando, que chegou a causar estranhamento na plateia do Cinesystem Curitiba. Ou melhor: nos poucos incautos que certamente compraram o ingresso pensando em ver uma globochanchada na linha de A Mulher Invisível, Se Eu Fosse Você e afins.

Mas os seis corajosos espectadores que restaram na sala após os dez primeiros minutos de projeção (o blogueiro não conta, pois é fã do diretor) foram recompensados. Porque o filme tem um humor desbocado, chulo e popular à moda antiga, ao mesmo tempo em que levanta temas delicados sobre a vida a dois.

Uma fórmula que, no entanto, só funciona graças à presença do Pedro Cardoso. Não o da televisão, sempre meio contido - e sim o do teatro. Quem já viu o cara em cena sabe do que estou falando. Poucos atores brasileiros conseguem ser engraçados e sensíveis na mesma medida. PC é um deles, e por isso está perfeito em mais esta pérola despretensiosa do mestre Domingos.

PS - No dia seguinte, levei as crianças para ver Os Pinguins do Papai. Melhor do que eu esperava, a comédia-família surpreende pelo tom nonsense e por revelar um Jim Carrey ainda inspirado. Quem tem filhos pequenos pode ir sem medo de errar.

É CHATO


Woody Allen é o meu cineasta predileto. No entanto, confesso: gosto menos dos trabalhos em que ele vai fundo no realismo fantástico (ou mágico, como queiram).

Até curto quando o expediente é usado para o humor nonsense, como em Contos de Nova York. Mas o sentimentalismo de A Rosa Púrpura do Cairo, por exemplo, não faz a minha linha.

Por essa razão extremamente pessoal, Meia-Noite em Paris já seria um forte candidato à lista dos títulos dele que eu só vejo uma vez. Um pressentimento que se confirmou logo aos 20 minutos da projeção.

É quando o alterego de Allen (dessa vez, interpretado por um Owen Wilson menos displicente do que o de costume) se transporta para a Paris dos anos 20 e passa a interagir com a intelectualidade da época. Figuras como Picasso, Fitzgerald, Hemingway, Dalí, etc. Todos propositalmente caricatos - e chatíssimos.

Essa chatice se alastra por toda a a história, inclusive pelas (poucas) piadas. Acrescente aí uma dose de propaganda turística da capital francesa, outra de romantismo clichê e pronto: temos um filme suspostamente sofisticado, feito sob medida para o público "inteligente" se sentir ainda mais culto na sala escura.

Fico esperando a volta do Woody Allen adulto, provocador, agressivo. Porque o de Meia-Noite em Paris, para o meu paladar, precisa urgentemente de um chacoalhão.

SEM MEDO DO RIDÍCULO


Eu sabia que Um Novo Despertar seria do tipo oito ou oitenta, ame ou odeie. Afinal, o que esperar de um filme em que o Mel Gibson passa o tempo todo com um fantoche na mão?

É isso mesmo. Aqui, o astro intolerante e beberrão vive um empresário em profunda depressão que acaba criando, sem querer, um metódo bisonho de autoanálise. E, cá entre nós, ninguém melhor do que um maluco para interpretar outro.

Ao se anular, e deixar um boneco em forma de castor falar por ele, Walter Black recupera a força para se relacionar com a família e salvar sua companhia da falência. Como se não bastasse, também vira um "case" midiático nacional.

Mas o que parece ser apenas uma lição de vida barata, no estilo autoajuda, ganha contornos mais dramáticos, graças ao roteiro bem centrado de Kyle Killen (outro talento promissor egresso da tevê). Revela-se, então, uma história sobre as dores que nos acompanham. Ou melhor: sobre como administrar essas dores.

Sem medo do ridículo, a diretora Jodie Foster (e mulher de Gibson na trama) compensa sua narrativa convencional com sensibilidade na condução de atores. No entanto, cabe ao espectador deixar o cinismo de lado e embarcar nessa fábula aparentemente absurda. Do contrário, vou logo avisando, periga você se irritar e sair no meio da sessão...

PS - Meu primeiro "pê ésse" da vez vai para a incrível Jennifer Lawrence (20 aninhos e um futuro brilhante pela frente).

PS2 - É incrível como todos os filmes são comédias para os curitibanos. Acho que já pagam o ingresso rindo. Ontem, gargalharam numa cena de tentativa de suicídio!

OUTRAS CAGADAS QUE OS HOMENS FAZEM


Nada como assistir a uma comédia escrachada, do gênero "homens fazendo merda", logo no primeiro dia de férias. Pena que Se Beber, Não Case 2 deixa muito a desejar.

Não que eu estivesse esperando uma obra-prima. Pelo contrário. Se fosse só uma versão turbinada da primeira parte, já estaria de bom tamanho. Mas o orçamento mais gordo não se refletiu em risadas.

O resultado é um filme movimentado, bom de se ver. Porém com duas ou três piadas realmente engraçadas. Culpa do roteiro formulaico, com as mesmíssimas soluções da história anterior.

Resta a atmosfera barra pesada, com sexo, armas e drogas à vontade - algo surpreendente para um blockbuster tão aguardado. E, como disse minha prima, as fotos dos créditos finais são melhores (espero que isso não tenha sido um spoiler).

PS - Mesmo engrenando apenas na metade, Passe Livre, dos geniais irmãos Farrelly, ainda é a minha comédia preferida de 2001 até aqui. Com Esposa de Mentirinha (que título tosco!) em segundo lugar.

O RIO DE JANEIRO CONTINUA TRASH


Não é de hoje que o Brasil entrou no mapa da cultura pop internacional. Mas não deixa de ser curioso o fato de que as duas maiores estreias de 2011 nos cinemas mundiais são produções ambientadas no Rio de Janeiro.

Juntas, a animação Rio e Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio arrecadaram mais de US$ 110 milhões apenas nos primeiros dias de exibição no circuito americano. Os dois filmes, no entanto, mostram facetas radicalmente diferentes do nosso principal cartão-postal.

Enquanto o primeiro romantiza a cidade (e esbarra na propaganda turística), o outro praticamente não traz os clichês tropicais de costume. Muito pelo contrário. Em cartaz a partir de hoje no país, Velozes 5 se concentra no lado trash - pobre e violento - da capital fluminense.

Com exceção de uma ou outra tomada aérea "bonita", o longa do diretor Justin Lin mostra favelas gigantescas, barracões escuros, feiras bagunçadas e ruas muito sujas. E os vilões, claro, são empresários e policiais corruptos. Ou seja: os clichês, aqui, são os da cinematografia nacional recente, pós-Cidade de Deus.

Neste quinto episódio da franquia, o trio formado por Dominic (Vin Diesel), Brian (Paul Walker) e Mia (Jordana Brewster, filha de brasileira) está foragido da polícia americana e vem parar no destino preferido de nove entre dez fujões do cinema. Escondidos numa "comunidade" (para usar o termo politicamente correto), eles arquitetam um golpe milionário que pode garantir sua liberdade em algum paraíso sem acordo de extradição com os EUA.

O alvo é o gângster Reyes (Joaquim de Almeida), que guarda US$ 100 milhões em muquifos espalhados pela cidade. Como os três não têm condições de realizar o roubo sozinhos, escalam uma equipe multidisciplinar (e multirracial), formada por especialistas em vários tipos de trambiques, alguns deles já conhecidos do público da série.

Mas o grupo tem outro obstáculo pela frente: o superagente do FBI Hobbs (Dwayne "The Rock" Johnson), uma verdadeira máquina de perseguir foragidos. O personagem, por sinal, é um show à parte. De tão caricato, parece saído de um desenho do Cartoon Network - o que só reforça o lado cômico de um filme cujo gênero poderia ser definido como "chanchada de ação".

Por isso, não vale a pena teorizar sobre o retrato negativo (e, muitas vezes, irreal) do Brasil apresentado em Velozes e Furiosos 5. Deixemos essa tarefa para quem levou a sério o verniz social contido em Tropa de Elite, nosso blockbuster de pancadaria por excelência. Aliás, bem que o Capitão Nascimento podia pegar umas dicas com Dominic e companhia. Eles, sim, sabem o que fazer com o vilão no final da história.

PS - Em vez de Sérgio Mendes ou samba-farofa para gringo ouvir, tem MV Bill, D2 e Turbo Trio na trilha sonora.

UM GALÃ SEM PEGADA?


Pegue o galã do momento. Acrescente dois vencedores do Oscar. Tempere com um bicho fofo. Coloque tudo numa história romântica e de época, baseada em um best-seller internacional. Taí a receita de Água para Elefantes, em cartaz a partir de hoje nos cinemas do país.

Trata-se da primeira grande produção estrelada por Robert Pattinson depois do estouro da saga Crepúsculo. E também um teste para o ator, que aqui desempenha um papel mais complexo, adulto. A boa notícia para as fãs é que o rapaz se sai razoavelmente bem com seu bronzeado natural (ou seja, sem a maquiagem pálida do vampiro Edward).

Versão do livro homônimo da canadense Sara Gruen, o filme do diretor Francis Lawrence (Eu Sou a Lenda) narra a jornada de Jacob Jankowski. Descendente de poloneses, ele estuda para ser veterinário durante a Depressão americana. Quando seus pais morrem, repentinamente, o rapaz fica na miséria e acaba acompanhando um circo.

Um circo à moda antiga, diga-se. Com direito a animais, atrações bizarras, jogos de azar e até uma tenda "paralela" com shows eróticos. Algo totalmente diferente dos espetáculos politicamente corretos e higienizados da era Cirque du Soleil.

A magia, no entanto, só existe embaixo da lona. Nos bastidores, as condições de trabalho e sobrevivência são insalubres. As pessoas trabalham em regime de semi-escravidão, enquanto os animais sofrem todos os tipos de maus tratos. É nesse ambiente contraditório que o personagem vai amadurecer na marra.

Educado e gentil, Jacob logo chama a atenção do dono da companhia, August (Cristoph Waltz, o nazista poliglota de Bastardos Inglórios, papel que lhe deu o Oscar de melhor ator coadjuvante no ano passado). Uma figura ao mesmo tempo fascinante e cruel, que trata com tirania até mesmo sua companheira, Marlena (Reese Witherspoon, premiada com a estatueta dourada por Johnny e June).

Obviamente, inicia-se um triângulo amoroso que não vai acabar bem. Ou melhor: um quadrado, já que lá pelas tantas surge uma elefanta no caminho dos protagonistas. Rosie é o nome da paquiderme, estrategicamente inserida na trama para levantar a questão dos direitos dos bichos (causa defendida pela autora do livro).

De resto, não há muito o que se dizer sobre Água para Elefantes - um filme todo "certinho" do ponto de vista técnico, porém pouco empolgante. A começar pelo próprio romance entre Jacob e Marlena, que não pega fogo em nenhum momento. Como em Crepúsculo, Pattinson fica novamente devendo. Não como ator, mas no quesito pegada.

CURSINHO INTENSIVO DE HUMILDADE


O realismo sempre foi uma das grandes marcas dos quadrinhos da Marvel Comics. Seus personagens são indivíduos comuns, que ganham superpoderes por algum motivo explicado pela ciência - mas continuam tendo de lidar com os problemas e dilemas típicos de qualquer mortal. É assim com Homem de Ferro, Homem-Aranha, Hulk, X-Men, Demolidor, etc.

Uma rara exceção é Thor, cuja adaptação para o cinema estreia amanhã no circuito brasileiro. Inspirado na mitologia nórdica, o Deus do Trovão se divide entre a Terra e uma dimensão paralela que transcende a compreensão humana. Um universo, convenhamos, bem mais difícil de ser transportado do papel para a tela.

Difícil, porém possível. Graças a um roteiro fiel à história original e toneladas de efeitos especiais de ponta, o filme cumpre corretamente a tarefa de apresentar o herói. E vai além, deixando ganchos importantes para Os Vingadores, longa que vai reunir alguns dos principais personagens da Marvel em 2012.

Com Chris Hemsworth (de Star Trek) no papel principal, Thor concentra boa parte de sua ação no reino mágico de Asgard, onde o filho de Odin se prepara para herdar o trono. A transição, no entanto, não acontece como o previsto. Arrogante e impulsivo, o loirão põe em risco seu povo e perde a coroa para o irmão, Loki (Tom Hiddleston).

Banido e desprovido de poderes, ele vai parar no deserto do Novo México. Lá, conhece a cientista Jane (Natalie Portman) e faz uma espécie de cursinho intensivo de humildade. Ou seja: está pronto para retomar sua missão épica e salvar os asgardianos da ameaça de seus inimigos milenares, os Gigantes de Gelo.

Essa redenção simplista é o ponto fraco de uma produção que prometia um pouquinho mais de profundidade. Afinal, foi dirigida pelo inglês, de formação "shakespeareana", Kenneth Branagh, cujo currículo inclui uma versão intensa e eletrizante de Frankenstein (estrelada por Robert De Niro). Aqui, pelo visto, ele teve de fazer concessões visando à audiência infantil.

Thor, portanto, não se enquadra no rol das adaptações de quadrinhos capazes de encantar os adultos leigos no assunto. Para essa fatia do público, o filme talvez funcione apenas como um concurso de cosplay - ou de fantasias do Hotel Glória, se você é do meu tempo.

DESENHO COM DATA DE VALIDADE


A nova empresa de animação Illumination Entertainment parece já ter encontrado um nicho de mercado: os desenhos para as crianças pequenas. Foi assim com seu primeiro projeto, o bem-sucedido Meu Malvado Favorito (2010), cuja principal marca era justamente deixar de lado o humor esperto e as referências pop que os pais tanto curtem em títulos como Shrek e Monstros vs. Alienígenas.

Menos de um ano depois, a companhia volta a bater nessa tecla, dessa vez com Hop - Rebelde Sem Páscoa, que estreia hoje no país. Espécie de "Alvin e os Esquilos com coelhos", a produção combina personagens animados com atores de carne e osso para contar uma história completamente ingênua. O problema é que o filme parece ter sido feito a toque de caixa. E não deve durar muito na memória dos pequeninos (quanto mais na dos pais).

Com direção de Tim Hill (o mesmo de Alvin), Hop começa na Ilha de Páscoa, onde o pequeno Junior é preparado para substituir o pai, o próprio Coelho da Páscoa, na missão de fabricar e distribuir doces. Enquanto isso, em Los Angeles, um menino chamado Fred cresce com a certeza de que um dia viu o comedor de cenoura deixando uma cesta com chocolates na porta de sua casa

Vinte anos depois, Junior quer ser baterista profissional - e foge para Hollywood em busca da fama. Já Fred (James Mardsen, de Encantada), desmotivado para o trabalho, é pressionado pelos pais a amadurecer na marra. Os dois acabam se cruzando e, juntos, "aprontam as maiores confusões", como diria o locutor dos comerciais da Sessão da Tarde.

Como em Alvin, Zé Colmeia, Garfield e outras produções do gênero, os bichinhos nem sempre casam direito com os personagens humanos. Não à toa, as melhores sequências do filme se passam na fábrica de doces, com seus pintinhos operários e engenhocas no estilo Willy Wonka. O destaque, por sinal, fica por conta do pinto-chefe, Carlos, o mau-humorado braço direito do Coelho da Páscoa.

Mas tanta cor e fofura não compensam o roteiro preguiçoso e a atuação infantilizada (no pior sentido do termo) de Mardsen. Resta fazer o teste com quem realmente interessa. Se as crianças saírem do cinema já pensando em lanchar, é porque Hop tem mesmo uma data de validade: o domingo de Páscoa.

ENQUANTO SEU LOBO NÃO VEM


As chamadas na tevê de A Garota da Capa Vermelha avisam que o filme é "da mesma diretora de Crepúsculo". Porém, se os marketeiros fossem mais diretos, o apelo seria: "Calculadamente parecido com Crepúsculo". Em cartaz a partir de amanhã no Brasil, a nova versão de Chapeuzinho Vermelho é um prato cheio para os fãs da saga teen vampiresca - mas pode causar uma certa indigestão nos maiores de 16 anos.

Aqui, a cineasta Catherine Hardwicke e o roteirista David Leslie Johnson (do ridículo A Órfã) transportam a personagem para uma vila sombria e medieval. A expressiva Amanda Seyfried (de Mamma Mia!) é a protagonista, Valerie, cobiçada por dois rapazes. Por imposição da família, ela deve se casar com o abastado Henry (Max Irons). No entanto, seu coraçãozinho bate mesmo pelo pobretão Peter (Shiloh Fernandez).

Se esse fosse seu único problema, tudo bem. Mas um lobisomem que ronda o povoado há gerações volta a atacar, e a moça se vê no centro da confusão. Como se não bastasse, um padre maluco e caçador de bestas (vivido por Gary Oldman) garante que o bichão é, na verdade, um morador do local. Valerie, então, começa a duvidar de todos que a cercam, inclusive dos membros de sua família.

Além do triângulo amoroso juvenil e da presença sobrenatural, A Garota da Capa Vermelha guarda outras semelhanças com Crepúsculo. Os diálogos são empolados, a direção de arte é cafona e a fotografia não vai além da cosmética dark. Para piorar, a trilha sonora moderninha, que deveria criar um contraponto com a ambientação retrô, acaba bagunçando ainda mais o coreto.

A história só cresce nos últimos 15 minutos, quando ganha contornos psicanalíticos - e deixa o espectador adulto com a sensação de que o projeto original era realmente interessante. Pena que o público-alvo seja tão bobinho. Ainda assim, fica uma aviso para os pais: o filme tem algumas sequências violentas e sensuais, não muito indicadas para os pré-adolescentes.

FALTOU FUNK


Com o cacife de quem comandou o filme mais assistido no mundo em 2009 (A Era do Gelo 3), o brasileiro Carlos Saldanha se viu autorizado a puxar a brasa para a própria sardinha. E desfrutou dessa liberdade muito bem, como se pode conferir em Rio, uma das animações mais bonitas, visualmente falando, já produzidas pelos estúdios americanos.

Em cartaz a partir de hoje, o desenho também é o maior lançamento da história da 20th Century Fox no país. Uma estratégia ousada, que inclui a exibição em mil salas (em cópias tradicionais e 3D) e uma campanha publicitária onipresente. Até a prefeitura carioca entrou no embalo, bancando uma ala inteira da escola de samba Salgueiro dedicada aos personagens.

Rio começa com um balé de pássaros, que rapidamente são caçados por traficantes de animais silvestres. Entre os capturados está o protagonista, Blu, uma arara-azul bebê que ainda não aprendeu a voar. Seu destino é uma cidade gelada dos EUA, onde ele felizmente recebe um tratamento de "gente" por parte de sua dona, Linda.

Sua rotina pacata é interrompida com a chegada de Túlio, um biólogo brasileiro que quer levá-lo ao Rio de Janeiro, para cruzar com a última fêmea da espécie. Acompanhado de Linda, ele chega à cidade em plena movimentação carnavalesca - com direito a dicas das aves "malandras" do pedaço e foliões sambando com pouca roupa no meio da rua.

Logo depois que Blu conhece a arara Jade, o pior acontece. Os dois são sequestrados por contrabandistas e vão parar num barraco de favela, onde centenas de outros pássaros estão engaiolados, prontos para serem vendidos. E o casal que até então não tinha química terá de superar suas diferenças para sobreviver.

O choque cultural, portanto, é o tema central de um filme que apresenta duas visões do Brasil. De um lado, há a paixão (e uma certa nostalgia) de Saldanha, que concebeu e dirigiu o projeto. Do outro, os inevitáveis estereótipos tupiniquins que fazem parte do imaginário dos americanos responsáveis pelo roteiro.

Sendo assim, o Rio de Janeiro romantizado da tela não chega a incomodar os nativos. Pelo contrário. Os cenários são tão caprichados que os adultos até ignoram os clichês, as piadas fraquinhas e o ritmo meio morno de parte da história. O único senão é a constrangedora trilha sonora de Sergio Mendes - uma mistura de Broadway com batucada para gringo ouvir. Faltou mais funk nessa receita (e, pensando bem, de modo geral).

UM ABSURDO!


Fúria sobre Rodas é um absurdo. Uma mistura nonsense de violência, armas, álcool, perseguições automobilísticas, mulheres nuas, caipiras americanos, magia negra... E tudo isso em 3D!

Dirigido por Patrick Lussier (de Dracula 2000 e do remake de Dia dos Namorados Macabro), o filme traz o endividado Nicolas Cage como protagonista. Sempre à vontade no papel de canastrão, o astro vive Milton, um ex-presidiário sedento por vingança. Sua filha foi assassinada pelo líder de uma seita satânica, que agora pretende sacrificar a neta dele.

A bordo de um carrão antigo e acompanhado de uma garçonete gostosona (Amber Head, de Zumbilândia), o personagem, sem muito papo, inicia uma trilha sangrenta em direção ao líder do grupo (Billy Burke, da saga Prepúcio, digo, Crepúsculo). Mas logo descobrimos que Milton não saiu exatamente de uma penitenciária - e sim do quinto dos infernos!

Isso explica sua indestrutibilidade, explorada em sequências esdrúxulas e bizarras. Em uma delas, só para se ter uma ideia da maluquice, o "motorista fantasma" mata uma penca de fanáticos com uma mulher pelada no colo, enquanto bebe uísque direto da garrafa. Inacreditável.

Vale destacar também a participação do figuraça William Fichtner. Conhecido do público pela série de televisão Prison Break (e coadjuvante em inúmeras produções de Hollywood), o ator rouba a cena na pele do misterioso "Contador". Bem que poderiam fazer um filme só dele.

Resumindo, Fúria Sobre Rodas é um divertido trash de luxo, no melhor sentido que o termo pode ter. Ou seja, traz todos os elementos caros ao gênero, mas com um acabamento, digamos, profissional. Altamente indicado para adolescentes espinhentos - e marmanjos que ainda guardam um pouco de sua porção juvenil.

Sobre a versão em 3D, uma boa notícia: este é um dos raros casos em que o formato realmente funciona. Ponto para o diretor, que já havia utilizado a tecnologia em Dia dos Namorados Macabro e deve ir além em seus próximos projetos (uma refilmagem de Hellraiser e o enésimo capítulo de Halloween).

PS - A trilha sonora também é o bicho, com músicas de T.Rex, Peaches, Raveonettes, Unkle, Everlast.

TRABALHO FINAL DO CURSO DE CINEMA


Talvez seja a ressaca do Oscar, mas ando com uma preguiça mortal de dar meus breves pitacos sobre cinema aqui no brógui. De qualquer forma, o trampo no jornal continua. Então segue o texto (mais "formal") que saiu hoje na Fôia.

Uma história forte, muitas vezes, salva um filme fraco. É o caso de Vips, que estreia hoje em circuito nacional. Produzido pela O2 (empresa de Fernando Meirelles) e dirigido pelo estreante Toniko Melo, o longa tem uma concepção tão simplória que chega a constranger em alguns momentos. Mas consegue prender o espectador graças às situações improváveis vividas pelo protagonista.

Inspirada no livro Vips - Histórias Reais de um Mentiroso, de Mariana Caltabiano (que também vai virar documentário), a produção narra as desventuras do estelionatário Marcelo Nascimento - interpretado por Wagner Moura. Atualmente cumprindo pena, ele virou notícia, há dez anos, quando tentou se passar por um dos donos da companhia aérea Gol.

Seu histórico de farsas, no entanto, começa bem antes disso. Criado apenas pela mãe, Marcelo é retratado como um rapaz esquisito e problemático, que sonha em ser piloto de avião, a exemplo do pai ausente. Para alcançar seus objetivos - não muito claros-, ele começa a contar mentiras e fingir ser outras pessoas. Até perder a noção de quem realmente é.

E é justamente nessa trajetória prévia que o filme se concentra, deixando o golpe mais notório para a última meia hora de projeção (o que torna o título Vips um tanto quanto frouxo). Ainda assim, trata-se de uma decisão acertada, pois o período em que Marcelo trabalha como piloto do tráfico de drogas na fronteira do Brasil com o Paraguai rende as melhores cenas do longa.

Outro destaque é o próprio Wagner Moura. Apesar de soar excessivo em algumas passagens, o ator consegue se manter num registro interessante (ou ao menos digno dos intérpretes que não se acomodam num único tipo). O mesmo não pode ser dito do diretor e sua equipe, que apostam em soluções básicas e convencionais do começo ao fim. O resultado é um filme com cara de trabalho final do curso de cinema.

Nesse sentido, Vips se compara ao recente Bruna Surfistinha. São duas produções nacionais, sobre personagens marginais e que miram no grande público - mas o subestimam ao optar por uma linguagem que fica entre a novela e o comercial de tevê. Será que somos tão toscos assim?

MENINAS, EU VI


Consegui escrever um texto "isento" sobre o filme do Justin Bieber. Para a Folha, claro.

"Você não gosta de mim, mas sua filha gosta". Taí um verso adequado para ilustrar a ascensão relâmpago do astro teen Justin Bieber. Motivo de piada entre os mais crescidinhos, o garoto de 16 anos simplesmente não precisa da aprovação do público dito inteligente. Sua base de fãs é tão grande (e fiel), que ele pode até lançar um longa-metragem para o cinema e, ainda assim, fazer sucesso.

E é justamente essa a mais recente cartada de sua carreira (cujo prazo de validade ainda é uma incógnita). Em cartaz a partir de amanhã no Brasil, Justin Bieber – Never Say Never é um improvável documentário sobre seu histórico artístico de apenas dois anos – e um único disco de estúdio. Mas, por incrível que pareça, o filme não é uma bomba completa. Ao contrário, pode render um programa divertido em família.

Dirigido por Jon Chu (um especialista em vídeos de dança), o longa mescla números musicais, registros pessoais do menino e bastidores de sua turnê mundial. O ponto de partida é a contagem regressiva para o maior show da vidinha dele, no "templo" do showbiz americano, o Madison Square Garden. Faltando dez dias para a apresentação, agentes, assessores e parentes recontam a trajetória do pirralho.

Filho de pais adolescentes, que logo se separaram, Bieber foi criado numa cidade pequena no interior do Canadá. Cercado por músicos, amigos de sua mãe, teve acesso a instrumentos desde cedo, e aprendeu a tocar vários deles sozinho. Não demorou muito e começou a participar de concursos de talentos, interpretando canções dos mais variados gêneros com uma qualidade vocal indiscutível.

Mas foi graças a internet que seu conto de fadas realmente teve início. Para mostrar os dotes do filho aos parentes de outras cidades, Pattie Bieber passou a registrar suas performances e publicá-las no YouTube. Os vídeos chamaram a atenção de um produtor de Atlanta (EUA), que tinha contatos com nomes quentes da indústria como Usher e Jermaine Dupri. O resto é história.

É verdade que o dom natural de Bieber foi soterrado por camadas de superprodução pasteurizada. Nesse sentido, os números musicais (em 3D) de Never Say Never acabam sendo proibitivos para quem não é fã do garoto (ou seja, qualquer um com mais de 12 anos). O filme, no entanto, tem outro trunfo capaz de atrair a atenção dos mais velhos: descreve a anatomia de um fenômeno pop.

Entre uma canção e outra, o espectador acompanha , passo a passo, a construção do ídolo. Um processo árduo, trabalhoso, que incluiu uma maratona de ensaios, gravações, shows, visitas a emissoras de rádio, etc. A prova de que mesmo os artistas fabricados precisam ralar muito para chegar em algum lugar. E não interessa se o "produto" tem somente 16 anos – o que importa é ser profissional acima de tudo.

Tanto que a personalidade de Bieber é irrelevante para o documentário, cujo rol de entrevistas não traz um papo mais profundo com o astro. O que não deixa de ser curioso, pois sua carreira é um reality show em si. Ainda assim, Never Say Never cumpre bem seu papel. Se você se interessa pelo funcionamento do showbiz , e é pai ou mãe de meninas, vá ao cinema sem medo.

O PASSAGEIRO DA AGONIA


Indicado a seis Oscars, mas proibido para pessoas muito sensíveis. Esse é o apelo de 127 Horas, que chega por aqui depois de causar desmaios, vômitos e até um ataque epilético mundo afora. Tudo por causa de uma cena extremamente forte e realista, que obrigou o próprio diretor a pedir desculpas para o público após as primeiras exibições.

Estrelado pelo valorizado James Franco, o filme combina aventura, drama e suspense para narrar a história real do americano Aron Ralston. Em 2003, ele trabalhava como engenheiro e passava o tempo livre explorando montanhas e cânions. Até que, durante um passeio solitário, caiu numa fenda e ficou com o braço preso numa rocha.

Ralston lutou pela sobrevivência ao longo de quase cinco dias. Ferido e praticamente sem suprimentos, bebeu água da chuva e a própria urina. Um verdadeiro martírio, pontuado por lembranças do passado, devaneios e alguns momentos de autoironia – registrados por ele com uma câmera digital.

Sete anos depois, o cineasta Danny Boyle tenta transformar essa jornada numa experiência de imersão para o espectador. E consegue. São 95 minutos de pura tensão, “arejados” apenas pela conhecida agilidade de sua direção (marcada por câmeras de mão, cortes rápidos, uso esperto da trilha sonora).

Mais do que isso, é melhor não revelar. Afinal, a história de Ralston não é muito conhecida no Brasil, o que pode garantir uma surpresa ao fim da sessão. De qualquer forma, fica o aviso: se você não aguenta ver o sofrimento alheio (como eu), evite 127 Horas. Ou então prepare o estômago e feche os olhos quando o bicho pegar (como eu).

PS – Pirando depois da cabine, brinquei que o filme é uma mistura de A Praia, Na Natureza Selvagem, Bruxa de Blair e Jogos Mortais. Assiste e depois me diz se não faz sentido.

SOU O PÚBLICO-ALVO


Sou o público-alvo de Sentimento de Culpa. Uma daquelas produções americanas pequenas, baratas, curtas, sobre os problemas de gente comum... Parafraseando o supracitado filósofo Álvaro Garnero: esse, sim, é o meu cinema!

Roteirista de mão cheia, Nicole Holofcener (já disse que me amarro em mulheres cineastas) faz aqui um recorte na vidinha de seis personagens totalmente reconhecíveis. E, mesmo sendo apenas regular na direção, consegue prender o espectador sem apelar para viradas mirabolantes ou momentos climáticos.

É o típico filme em que "nada acontece", alguém vai dizer. Mas só na superfície. Como quem não quer nada, Nicole nos coloca diante de temas como família, hipocrisia, casamento, solidão, doação e, claro, culpa. Impossível não se identificar.

Destaque também para o elenco. Principalmente a dupla Oliver Platt e Catherine Keener (eternos de coadjuvantes de luxo em Hollywood) e a incrível Rebeca Hall (de Vicky Cristina Barcelona).

Um único porém: a trilha sonora folk pau mole - uma verdadeira obsessão do cinema independente americano.

CARAVANA DA CORAGEM


Nunca tive muito saco para atores-mirins. Mas essa menina de Bravura Indômita, sozinha, já valeria a sessão. Hailee Steinfeld é o nome da figurinha, que mal estreou no cinema e concorre ao Oscar de coadjuvante. Olho nela.

Sobre o filme em si, trata-se de mais um western dos Coen. Digo "mais um" porque, convenhamos, o ótimo Onde os Fracos Não Têm Vez é quase um bang-bang, né? A diferença é que, aqui, a história se passa mesmo no Velho Oeste. Com direito a visual caprichado e direção de arte que aproxima o espectador da época.

O roteiro, mais baseado no livro do que no longa de 1969, segue a linha "fábula moral", tão comum na obra dos irmãos cineastas. No caso, uma fábula sobre a coragem. Coragem para fazer o que deve ser feito, para levar até o fim o que se começou. O que torna este Bravura um dos trabalhos mais "emocionais" dos irmãos cineastas.

E também o filme mais convencional e acessível deles, narrativamente falando. Não à toa, já faturou US$ 90 milhões só nos EUA (um feito e tanto para um faroeste em pleno 2011). Isso não significa, pelamordedeus, que é ruim. Pelo contrário. Só não rivaliza com classicões como Lebowski, Onde os Fracos, O Homem que Não Estava Lá, etc.

PS - O Jeff Bridges está apenas correto. Não justifica a segunda indicação seguida.

NÃO SOU O PÚBLICO-ALVO


Os três leitores deste blog talvez não se enquadrem no público-alvo de O Discurso do Rei. Nem eu, para falar a real.

Mas senti que o pessoal mais "maduro" (no sentido cronológico mesmo) presente na pré-estreia curtiu bastante. O que reforça o contraponto com A Rede Social, apontado como seu maior rival no Oscar 2011.

Trata-se do típico "filmão inglês" de época. Acadêmico, tecnicamente impecável, com personagens nobres (no caso, o protagonista é o próprio monarca) e referências a Shakespeare. Um prato cheio para quem curte o gênero.

Da minha parte, valeu a pena pelo desempenho de gente grande da dupla Colin Firth e Geoffrey Rush. Principalmente do primeiro, com quem nunca simpatizei muito - até aqui.

Sempre lembrando, como já disse no tuíter, que a Academia é formada, basicamente, por votantes "maduros". Não se espante, portanto, se este aqui passar o rodo nas estatuetas.

ALÔCKA DO BALÉ!


Atenção: Cisne Negro não é sobre o mundo do balé. Ou pelo menos não trata apenas disso, como sugerem os comerciais de tevê. Indicado a seis Oscars, o filme do diretor Darren Aronofsky é um suspense psicológico para adultos, com altas doses de tensão e sensualidade.

A história é centrada na figura de Nina (Natalie Portman), uma bailarina profissional extremamente comprometida com sua companhia. Comprometida até demais. Aos 28 anos, mora com a mãe superprotetora (Barbara Hershey) e se limita a viver entre o teatro e sua casa.

Quando o grupo se prepara para encenar uma nova versão de O Lago dos Cisnes, e a dançarina principal é forçada a se aposentar, ela agarra com unhas e dentes a oportunidade de ganhar o papel principal. Um desafio e tanto, já que a adaptação prevê que a estrela do espetáculo interprete dois personagens - o Cisne Branco e o Negro.

Enquanto encarna o primeiro, Nina é incrível. Afinal, sua personalidade ingênua e frágil combina perfeitamente com a coreografia. A difilcudade surge na hora de dançar as partes do Cisne Negro - perverso, agressivo, lânguido. Instigada pelo autoritário diretor da companhia (Vincent Cassel, o eterno francês escrotão), ela terá de descobrir sua faceta libertária.

Exigida por todos, principalmente por si mesma, a personagem se desestabiliza e inicia uma jornada delirante, marcada por alucinações assustadoras (algumas involuntariamente cômicas, diga-se). A partir daí, fica difícil saber o que é ficção e realidade na trama, que ganha tintas expressionistas e um clima tenso digno dos filmes de Roman Polanski e David Cronenberg.

O problema é que, apesar de seu talento inegável, Aronofsky quase sempre derrapa no superficialismo. Como se apostasse num ponto de vista e o mantivesse firme até a última cena - sem muita reflexão ao longo do processo. Nesse sentido, Cise Negro, mesmo com todo seu rebuscamento, pode ser considerado previsível.

Sobre Natalie Portman, fica a certeza de seu favoritismo ao Oscar de melhor atriz. É verdade que ela passa 90% do tempo com cara de quem comeu e não gostou, mas sua doação ao papel convence até os mais ranzinzas. Se a Academia não resolver premiar Annette Bening por injustiças cometidas em anos anteriores, a estatueta é da Padmé.

PS - Não acho que o Oscar "esnobou" a coadjuvante Mila Kunis. Barbara Hershey está muito melhor.

COMÉDIA ROMÂNTICA COM SEXO


Agora entendo por que O Amor e Outras Drogas foi mal de bilheteria nos EUA.

Vendido como comédia romântica, o filme realmente tem toda a estrutura do gênero. A diferença, no entanto, é a temática um pouco mais "adulta" para o paladar do público médio.

A começar pela crítica firme à indústria farmacêutica americana, com direito a estilhaços para médicos gananciosos e consumidores viciados.

Mas o que pega mesmo é o sexo. Só se fala em sexo. Até se faz sexo! Os atores ficam pelados! Enfim: algo cada vez mais difícil de se encontrar no cinemão crossover, que tem a obrigação de atrair toda a família.

Outro item raro presente no pacote é o ótimo entrosamento do casal principal (que já trabalhou junto em O Segredo de Brokeback Mountain). Uma prova de que o expediente de reunir dois superastros, por si só, não é a garantia de uma boa sessão. Vide o fiasco da duplinha do post abaixo...