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CURITIBA FUNK 3: A NOITE DAS PREPARADAS



Útima parte da reportagem.

É quase uma da manhã e a Sociedade Abranches está lotada. E não poderia ser diferente. É o último baile funk do ano, com direito à promoção especial para as mulheres: quem estiver de minissaia entra de graça. Não é a toa que a festa leva o nome de ''A Noite das Preparadas''.

Mais de 1.200 pessoas aparecem por lá, vindas dos mais diferentes lugares de Curitiba e da Região Metropolitana (Boqueirão, Bairro Alto, Santa Cândida, Colombo, Pinhais, Piraquara, Cajuru, Almirante Tamandaré...). Como o baile tem ''censura 16 anos'', a média de idade é baixíssima.

O combustível do público é a cerveja, vendida em garrafa e servida em copos grandes de plástico. O repórter chega sozinho, compra a sua e aguarda pela atração principal da jornada - o MC Jura e suas Causadoras do Funk. Enquanto o show não começa, os DJs comandam o som mecânico.

Não demora muito e os artistas sobem ao palco. Há um certo clima de estranhamento no ar, e a garotada que dançava sem parar agora só observa - como se estivesse assistindo a um espetáculo proibido. No gargarejo, rapazes excitadíssimos com o remelexo das dançarinas registram tudo com seus telefones celulares. Horas depois, os vídeos vão parar no YouTube.

Aos poucos, Jura vai relaxando a platéia. Reveza sucessos nacionais com músicas próprias, e até arrisca um ''funknejo'' (melodia de um hit sertanejo sobre a batida eletrônica). Quando menos se percebe, o salão inteiro está se chacoalhando, com grupinhos espalhados por todos os cantos.

Em frente ao palco, várias moças de minissaia - e com calcinhas fio-dental à mostra - se posicionam estrategicamente. É que vai começar o momento ''interativo'' da performance, em que o MC convida o público a rebolar com ele.

A partir daí, o que se vê é uma farra completa, com mais de dez meninas se exibindo. Do ''créu'' (e suas cinco velocidades) à inacreditável ''dança da rã'' (uma espécie de simulação de sexo oral acrobática), o show, definitivamente, é delas.

A apresentação termina lá pelas 3 horas, mas no fim de janeiro tem mais. Já está marcado, para o dia 23, o ''Baile do Decote''. E adivinha quem vai entrar de graça dessa vez?

UM PROGRAMA NADA "MÉDIO"



Estou produzindo uma reportagem para a FdL sobre funk carioca em Curitiba. Funk, digamos, popular, não a apropriação estética feita pelo Bonde do Rolê (nada contra, que fique claro).

Como "a verdade está lá fora", troquei o plantão de sábado por um pulo na Noite das Preparadas, último baile do ano na Sociedade Abranches. Na programação, muito som mecânico e a participação, ao vivo, do MC Jura e suas Causadoras do Funk. Conversei com o sujeito uns dias antes, mas sobre ele eu falo depois, na matéria que vai sair.

Por hora, dá para dizer que me diverti para caramba. Principalmente com o desembaraço do público, vindo de bairros afastados do Centro e cidades da Região Metropolitana como Almirante Tamandaré e Colombo. Para se ter uma ideia da farra, mulheres entravam de graça se estivessem de minissaia. Efeito Geisy total!

Cheguei sozinho, comprei uma cerveja (de garrafa, servida num copão de plástico) e me posicionei perto do gargarejo. O começo foi meio morno, como mostra o vídeo acima. A turma só se soltou mesmo no "momento Créu", quando o MC chamou umas doze garotas da platéia para mandar ver no palco.

A partir daí, a sacanagem tomou conta do lugar. E dá-lhe strip masculino, calcinhas fio-dental à mostra e a inacreditável dança da rã. Saí de lá às 3h, com uma dúvida na cabeça: como encarar uma balada "normal" depois dessa? Logo eu, que fico entediado só de pensar num show de rock alternativo com discotecagem modernosa.

Como diria Danuza: "O que me chateia é programa 'médio', sabe?".