SIMPLES ASSIM


A maneira mais rápida de acabar com uma guerra é perdê-la.
George Orwell.

UM GRANDE FILMINHO


Claro que é bom ganhar algum dinheiro escrevendo sobre cinema. Mas, às vezes, a gente se concentra nos grandes lançamentos, no títulos mais comentados, e acaba perdendo trabalhos pequenos que podem nos emocionar.

Quase foi o caso de Destinos Ligados, que vi ontem, praticamente por acaso, no Novo Batel. No melhor estilo "vamos entrar na sessão que estiver começando agora".

Trata-se de um filme do Rodrigo García, filho do Gabriel García Marquez, com produção da patota latina de Hollywood (Cuarón, Del Toro, Iñárritu). Como em Coisas que Você Pode Dizer Só de Olhar para Ela, aqui ele busca um ponto de vista feminino sobre vários temas, embaralhando as histórias de diferentes mulheres.

O ponto de partida da trama é a adoção. Mas o roteiro, em camadas, explora outros elementos essenciais da vida (sexo, família, religião, solidão). E foi justamente essa disposição para tratar do básico que me capturou.

Sei que a turma não curte muito um melodrama, mesmo quando é conduzido com sensibilidade - coisa que este tem de sobra. De qualquer forma, fica a dica de um "filminho" que já entrou na minha lista de melhores do ano.

THE MIDNIGHT SPECIAL (7) - CHEAP TRICK



(Chorus)
Mommy's allright, Daddy's allright
They just seem a little weird
Surrender, surrender
But don't give yourself away

"VESTINDO NADA MAIS DO QUE A PRÓPRIA SENSUALIDADE"


Outra da série Releases Inesquecíveis, claro.

BLUMENAUENSE ENCANTA O PAÍS

Com apenas 19 anos, XXXXX XXXXX surpreende o público masculino, que pede bis para fotos sensuais que a morena tirou para o site XXXXX.

Natural de Blumenau (SC), a modelo estampou as páginas do XXXXX no início de agosto. O sucesso foi tanto, que a partir de amanhã os fãs da catarinense poderão conferir mais dez sessões inéditas, com fotos surpreendentes.

As fotografias exclusivas, que mostram a estudante de Direito em poses bastante provocantes, prometem deixar o público masculino sem fôlego mais uma vez. Nelas, ela alegra o ambiente com a ajuda de adereços como lingerie vermelha, calcinha pequenininha, rendas e, claro, como veio ao mundo, vestindo nada mais do que a própria sensualidade.

Entenda o porquê de as mulheres do Sul serem reconhecidas como algumas das mais lindas do Brasil.

A NOITE QUE NUNCA TERMINA


Uma Noite em 67 é um documentário simples e eficiente, que apresenta o tema para os mais novos e diverte quem sabe da história de cor e salteado. Também emociona, com aquelas imagens de arquivo que a gente não se cansa de rever ao longo dos anos.

De resto, fica a certeza, mais uma vez, de que o grande vencedor do festival não foi o Edu Lobo - por sinal, um tanto desencantado em seu depoimento. Quem lucrou mesmo foram os tropicalistas. Principalmente o Caetano, cuja carreira explodiu para valer a partir dali.

PS - Agora faltam chegar a Curitiba Dzi Croquettes e Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano. Se é que chegam...

PS 2 - A Marília Medalha está viva, sim, Wagner.

VAMO BATÊ LATA


Achei que Stomp seria meio cafoninha. Algo na linha Blue Man Group ou Cirque du Soleil. Mas me surpreendi com o que vi na terça, no Teatro Positivo.

Num cenário sujo, que reproduz um cortiço, oito dançarinos/percussionistas fazem miséria com objetos simples - vassouras, lixeiras, baldes, sacos plásticos, isqueiros. Em alguns momentos, soam agressivos, pesados. Noutros, brincam como clowns.

No fim das contas, percebe-se que o espetáculo ainda impressiona porque mantém aquela pegada urbana e underground da proposta original, surgida no início dos anos 90. E isso significa não exagerar nas invencionices, nem expor demais os números em comerciais de tevê, videoclipes e campanhas publicitárias.

Como disse o brasileiro que faz parte do elenco (e com quem conversei para uma matéria da FdL): "Só mostramos o que é real, verdadeiro. Essa é a diferença da gente para os imitadores". Não é que ele está certo?

À PROVA DE CÍNICOS


Ganhei vários presentes de aniversário ontem. E o último foi Juventude, que passou à noite no Canal Brasil.

Trata-se de mais uma produção pequena, barata e deliciosamente imperfeita do Domingos Oliveira. O tema, desta vez, é a velhice, na visão de três amigos que se conhecem há 55 anos.

Nada mais adequado para a data, portanto. E com aquele toque sentimental que só o Domingos sabe dar sem soar piegas (ou muito piegas). Um filme à prova de cínicos, eu diria. Vai reprisar no sábado, às 23h, e no domingo, às 18h30.

A ANTI-LADY GAGA


Taí o meu disco preferido de 2010, pelo menos até agora: The ArchAndroid (Suites II and III), da Janelle Monáe.

Neste álbum conceitual, a cantora de 24 anos liga o passado e o presente da música negra americana à base de muito Prince, Michael Jackson, James Brown, Stevie Wonder, Outkast...

E, por cima de tudo isso, há um molho psicodélico, futurista e performático. O que faz de Janelle uma espécie de Lady Gaga com pretensões mais artísticas (ou uma anti-Lady Gaga).

Se você curte todas essas referências que eu citei, baixe já!



PS - Eu gosto da Lady Gaga, tá?

IRREVERSÍVEL


Só há uma solução. Examinar pessoalmente o castelo, deduzir quais são seus pontos fracos e traçar um plano para escapar sozinho.

Mas o pensamento sozinho de nada adianta, porque é o pensamento que teve os pés e mãos atados pela hipnose do carcereiro; pelo hábito, preguiça, "formas de se ver", etc.

É necessário agir. Um homem pode mudar seus hábitos mentais mudando sua maneira de viver; às vezes um só ato pode mudar completamente toda a sua mentalidade.

(...) O importante é que se sinta que um ato de vontade é irreversível.


Colin Wilson, em O Outsider.

ASSIM MESMO



Não vou mentir. Ouvi esse clássico do Monsueto pela primeira vez nos anos 90, na interpretação do Virna Lisi (grande banda, hein?).



Em seguida, conheci a versão que o Caetano gravou no Araçá Azul. Mas o fato é que, até hoje, vira e mexe eu me pego com essa música na cabeça. Coisas da vida, como diria o Vonnegut...

APALPADELAS DE GRUPO


Na década de 60, os EUA viram o crescimento de uma quantidade de cultos de terapia de grupo, que introduziram nos seus procedimentos vários rituais de toque corporal.

Esssas "apalpadelas de grupo", como eram chamadas, revelaram a necessidade subjacente de contato corporal e, ao mesmo tempo, refletiram as poderosas restrições impostas a isso na comunidade como um todo.

Mas, apesar do grande interesse que despertou, o movimento agora parece ter perdido o seu momento e a sociedade ocidental conservou como um todo a sua tendência geral à privacidade corporal e ao tabu de contato.


Extraído da obra de Desmond Morris.

CURTO E FINO


Mais um Philip Roth foi para a fita. Ganhei A Humilhação no Dia dos Pais e matei praticamente de uma vez só. Pudera: o livro é curtíssimo, como os outros trabalhos recentes dele.

Aliás, tenho lido por aí algumas críticas negativas sobre essa fase vapt-vupt do escritor - e sua suposta superficialidade. Não sou da turma dos "eruditos" da literatura para fazer uma análise embasada, mas tenho a impressão de que o buraco é bem mais embaixo.

Para mim, o Roth, apesar dos 77 anos, apenas compreendeu que estes são tempos de mensagens urgentes, impactantes, concisas. Experimentou um formato mais econômico, sem perder a finesse, e acabou conquistando uma penca de novos leitores (como eu, ainda um neófito na obra dele).

"Fica a dica", portanto. E o trecho, que é de praxe...

(...) Por causa da dor na coluna, na hora de trepar Axler não podia se deitar em cima de Pegeen, e nem mesmo ficar de lado; assim, ele se punha em décubito dorsal enquanto ela montava nele, apoiando-se com os joelhos e as mãos para não jogar seu peso sobre o pélvis dele.

De início, Pegeen ficava totalmente sem know-how nessa posição, e Axler era obrigado a guiá-la com as duas mãos, indicando-lhe o caminho. "Eu não sei o que fazer", disse ela, tímida. "Você está montada num cavalo", ele respondeu. "Vá em frente." Quando Axler enfiou o polegar no cu de Pegeen, ela suspirou de prazer e cochichou: "Ninguém nunca enfiou nada aí dentro" - "Improvável", ele cochichou em resposta.

UMA QUESTÃO DE ACESSO


Todo mundo brincando de ser alguma coisa na internet. Mas isso é ruim?

A imagem eu peguei daqui.