ENTREVISTA: LEANDRO DELMONICO (CHARME CHULO)


Matéria para a Fôia.

O QUE HOUVE COM O CHARME CHULO?

Em nova fase na carreira, banda curitibana toca na capital e em Londrina no fim de semana

Os roqueiros caipiras do Charme Chulo estão de volta à terrinha. Tocam hoje na capital e amanhã em Londrina, nos bares Jokers e Valentino, respectivamente. Os shows marcam o reencontro do quarteto, no palco, após o ‘‘desmonte’’ do apartamento do grupo em São Paulo. Depois de quase um ano morando juntos por lá, os integrantes agora vivem em cidades diferentes. É ‘‘a nova ordem’’ da banda, como define o guitarrista (e violeiro) Leandro Delmomico.

‘‘A ideia, este ano, é reelaborar o show, tocar esporadicamente e preparar o terceiro disco’’, afirma Leandro, que retornou a Curitiba. Ele continua próximo do parceiro de composição, Igor (voz), atualmente em Ponta Grossa. Luciano (baixo) também voltou para casa, em Rolândia, e Rony (bateria) continua na megalópole. Mas, afinal, o que houve com o Charme Chulo?

Segundo o guitarrista, os quatro se mudaram de mala e cuia para descolar um produtor/empresário que ajudasse a impulsionar a carreira da banda. Não encontraram a figura certa, mas ao menos conseguiram se manter às próprias custas. ‘‘Foi uma surpresa, até para os nossos amigos, a gente pagar aluguel tocando música própria no interior de São Paulo’’, diz.

A correria da autoprodução, no entanto, causou um certo desgaste no grupo, que também não se identificou com o ritmo da cena musical paulistana. ‘‘Todo mundo está lá para fazer uma rede social, tentar ser pop. Tem festa o tempo todo na casa das bandas, baladas na Rua Augusta. Temos vários amigos nesse meio, mas a vida de sexo e drogas não é muito propícia para nós. Somos mais caipiras, no bom sentido’’, admite.

De qualquer forma, Leandro faz uma avaliação positiva do período. E acredita estar inspirado para compor o álbum mais ousado da trajetória do Charme Chulo. ‘‘Acho que a gente precisa dar uma de Dalton Trevisan e se esconder um pouco. É hora de tocar menos, se valorizar e gravar um disco legal para lançar em 2012’’, afirma.

Em tempo: o show de abertura em Curitiba fica a cargo do grupo Pão de Hamburger, uma das gratas revelações dos últimos tempos na cidade. Nome nonsense à parte, o quinteto se inspira no rock setentista para fazer um som completamente fora de moda - e, talvez por isso, muito autêntico. Destaque também para a formação com três guitarras sempre bem timbradas.

COMÉDIA ROMÂNTICA COM SEXO


Agora entendo por que O Amor e Outras Drogas foi mal de bilheteria nos EUA.

Vendido como comédia romântica, o filme realmente tem toda a estrutura do gênero. A diferença, no entanto, é a temática um pouco mais "adulta" para o paladar do público médio.

A começar pela crítica firme à indústria farmacêutica americana, com direito a estilhaços para médicos gananciosos e consumidores viciados.

Mas o que pega mesmo é o sexo. Só se fala em sexo. Até se faz sexo! Os atores ficam pelados! Enfim: algo cada vez mais difícil de se encontrar no cinemão crossover, que tem a obrigação de atrair toda a família.

Outro item raro presente no pacote é o ótimo entrosamento do casal principal (que já trabalhou junto em O Segredo de Brokeback Mountain). Uma prova de que o expediente de reunir dois superastros, por si só, não é a garantia de uma boa sessão. Vide o fiasco da duplinha do post abaixo...

A ANDRÓIDE E O SONSO


Só o suposto jabá do Globo de Ouro explica as indicações de Johnny Depp e Angelina Jolie por O Turista.

Não bastasse o filme ser fraquíssimo, um está mais canastrão do que o outro. Ele, o freak sonso de sempre. Ela, cada vez mais robótica. Fiquei constrangido em vários momentos da cabine.

No mais, temos um roteiro que busca mesclar ação, suspense, comédia e romance - mas acaba patinando em todos esses gêneros. Nem as viradas mirabolantes, feitas sob medida para quem passa a sessão inteira tentando "descobrir o final", empolgam.

Vou cobrar do jornal meu adicional de insalubridade!

CAMALÕES MUSICAIS


Resgate de uma reportagem sobre bandas de baile que fiz para a FdL. As fotos são do Theo Marques.

A realidade musical do Brasil, definitivamente, não está nos cadernos culturais. Também passa longe da televisão, que deixou de fabricar seus ídolos para cortejar um ou outro fenômeno já estourado nos rincões do país. Nesse cenário periférico e fragmentado, um formato tradicional sobrevive justamente por sintetizar toda essa movimentação: o das bandas de baile.

Radicalmente ecléticos, os conjuntos do gênero atualizam seu repertório mutante o tempo todo, de acordo com o gosto do público. Estar antenado com as novidades, portanto, é sua garantia de longevidade. Ondas musicais vêm e vão - e até os DJs hoje são encarados como artistas. Mas nada parece abalar a força das bandas, que seguem rodando pelas estradas a bordo de seus ônibus coloridos.

Às oito da manhã de uma quinta-feira, um deles estaciona em frente à Sociedade Água Verde, em Curitiba. Traz os integrantes do grupo Almas Iguais, atração do baile marcado para o início da noite. Vindos de Paranavaí, os 15 passageiros (10 músicos e 5 técnicos) estão "no bagaço", como define um deles.

Foram quase nove horas de viagem, a primeira de uma maratona de 11 dias na estrada. Por isso, ninguém se faz de rogado e todos ajudam a descarregar o equipamento. Inclusive os "donos" do conjunto, os irmãos Brito, juntos nos palcos há 25 anos.

Uirá e Antônio, os mais velhos, hoje cuidam apenas da logística dos shows. Ubirá canta, Barrinha toca baixo e outros dois sobrinhos completam o núcleo central. Mesmo surpresos com a abordagem inesperada da reportagem, eles abrem o jogo sobre a atual situação do Almas Iguais, anteriormente conhecido como Corpo e Alma.

Em 2006, um grupo homônimo do Rio Grande do Sul conseguiu provar na Justiça que tinha os direitos sobre o nome há mais tempo. Os Brito foram obrigados a rebatizar a banda, mas a perda da marca foi péssima para os negócios. "Tivemos que recomeçar praticamente do zero", conta Uriá.

Segundo ele, o conjunto chegou a viajar com três ônibus e um caminhão na época das vacas gordas. Agora, com a estrutura reduzida ao mínimo necessário, não consegue sequer manter bailarinas fixas. Para o show daquela noite, duas moças curitibanas "terceirizadas" dançariam por R$ 100.

No geral, uma banda de baile consolidada no mercado faz entre 10 e 12 apresentações por mês. Os cachês variam de R$ 1.500 a R$ 15 mil, dependendo do tipo de evento e do tamanho da estrutura exigida. Quando os "showmícios" ainda eram permitidos pelo Tribunal Superior Eleitoral, os artistas fechavam pacotes de 40 dias seguidos para acompanhar os candidatos.

"A proibição prejudicou muito os músicos. Hoje, a melhor época do ano é o Carnaval. No resto do ano, a gente toca em 'baileco' para sobreviver", diz Uriá.

PINGA NO BAMBU

A montagem do palco vai durar até o fim da manhã. E o que fazer até o início do show, previsto para às 19 horas? "Como não estamos em hotel, ficamos 'coçando' dentro do ônibus", admite Ubirá, o homem de frente do grupo.

O cantor também aproveita o tempo livre para compor. Sim, porque o Almas Iguais não toca apenas covers. Já são quatro CDs gravados, sendo que o quinto está na boca do forno. No último trabalho, o carro-chefe foi a faixa "Uísque e Redbull (Pinga no Bambu)", que pegava carona na mais recente onda etílica da música popular, puxada pelo megahit "Cair, Beber e Levantar".

Mas a tendência já mudou de novo, ele conta. O que pega agora são letras sobre marmanjos que esnobam as garotas, bem ao gosto dos fãs do movimento conhecido como "sertanejo universitário". Vide sucessos como "Chora, Me Liga" (João Bosco e Vinícius), "Paga Pau" (Fernando e Sorocaba) e "Deixa a Mala Pronta" (Hugo Pena e Gabriel) - todos na contramão da dor de corno típica da música caipira.

De olho na moda, Ubirá revela que escreveu uma música "mais moderna" para o novo CD do Almas Iguais. E recita um trecho de "Tô de Boa", que narra a história de um sujeito às voltas com uma ex-namorada louca para reatar o relacionamento. "Tô de boa, tô de boa / Me cuidei, hoje tô bem / Agora numa boa, preciso de um tempo também", diz o refrão.

"Vou batalhar até conseguir um sucesso", confessa o músico, antes de se despedir da reportagem. Naquela noite, porém, o público não teria a oportunidade de ouvir sua candidata a hit nacional. "Hoje o baile é para um pessoal mais velho. Só vai tocar Frank Sinatra, Pepino Di Capri, Manolo Otero", diz, resignado com o gosto da freguesia.


JAIR, O SOBREVIVENTE

Brasil 2000, Metrópole, Santa Mônica, Edição Especial, Almas Iguais, New York, Fonte Luminosa... Enquanto você lê este texto, incontáveis conjuntos paranaenses estão viajando pelas estradas do país - indo ou voltando de shows. Nenhum deles, no entanto, tem mais milhas rodadas do que o Jair Supercap, talvez a banda de baile mais antiga do estado ainda em atividade.

Formado em 1974 pelos irmãos Barreto, de Jacarezinho, o grupo ficou notório pelo carisma de Jair, um showman nato, intuitivo. Quem assistia ao antigo programa do Bolinha, na TV Bandeirantes, na década de 80, deve se lembrar dele. Maquiado e fantasiado, o artista popular divertia o público com suas imitações de Ney Matogrosso, Maria Bethânia, Simone, etc.

Por essas e outras, a reportagem não pensou duas vezes quando descobriu que o Supercap estava escalado para animar uma "domingueira" na Sociedade Água Verde. Entrou em contato com o clube e negociou a cobertura do baile. "Negociou" porque a secretaria impôs uma condição: não fotografar os frequentadores. "É que tem muita gente casada que vem aqui sozinha e não quer ser identificada", explicou uma funcionária.

Corta para o fim de tarde daquele domingo. Nos dois salões do clube, um público, digamos, maduro, dança ao som de sucessos sertanejos e gauchescos. São mulheres e, principalmente, homens entre 45 e 65 anos, envolvidos num clima de paquera quase adolescente. Enquanto Jair e sua trupe não aparecem, um DJ e um grupo de vanerão promovem o arrasta-pé.

Odilon, um dos irmãos fundadores do Supercap, apresenta-se para a reportagem. Chegou antes porque é o técnico da banda, mas conta que já foi baixista. Trocou de lado por conta de uma certa desilusão com o meio. "Ninguém se importa mais com a música. O som ter quem ser alto, só isso", lamenta.

Seja como for, sua mulher e o filho de 20 anos continuam no palco. Ela é uma das vocalistas do grupo, enquanto o rapaz seguiu o pai no contrabaixo. Ao todo, 12 membros da família Barreto fazem parte do Supercap, entre músicos, técnicos e produtores. "É o Jair que mantém todo mundo unido. Se ele tivesse a minha cabeça, já teria parado", confessa Odilon.


OPÇÃO PELA FAMÍLIA

O band leader, enfim, chega ao clube. Passa rápido pelo corredor e o seguimos até o camarim. É um espaço pequeno e precário, com apenas um espelho e marcas de infiltração pelas paredes. Enquanto a garotada do balé se prepara, Jair, o sobrevivente, conversa com a reportagem.

"Quando aparecia no Bolinha, recebi vários convites para largar a banda. Mas optei pela família", diz, sobre a longevidade do Supercap. Aos 57 anos, ele se mantém antenadíssimo com as paradas de sucesso. A prova é uma caixa de papelão que carrega para todo lugar, cheia de fichas com nomes de músicas novas. Até o som emo de Fresno e NX Zero tem lugar no repertório.

Sem citar nomes, Jair comenta as tendências do momento. "Os artistas de hoje duram muito pouco. O pessoal consome música como se fosse bolacha", critica. Os grandes talentos da atualidade, para ele, são Marisa Monte e Ana Carolina. "Gosto de poesia e melodia, coisas que esses grupos que só sabem tocar três acordes não têm", explica.

Quanto aos negócios, o artista (que também é dono de uma rádio em Cambará) não tem do que reclamar. Mesmo com a proibição dos showmícios. "Isso foi bom para quem realmente tem qualidade. Limpou o mercado das porcarias", afirma.

Atualmente, o Supercap faz em média 14 shows por mês, com cachês entre R$ 4 mil e R$ 15 mil. O ponto alto do ano na agenda é a Festa do Peão de Barretos (SP), da qual a banda é uma das atrações mais tradicionais. "Dessa vez, vamos fechar para o Roberto Carlos", orgulha-se.

E por falar no Rei, é hora de começar a apresentação, que vai contar com uma sequência inteira de canções do maior ídolo popular do país. Depois de uma abertura "épica", com direito a efeitos especiais e música techno, Jair sobe ao palco usando um paletó azul, em referência ao homenageado da noite. Ao som de "Detalhes", os casais se grudam no centro da pista.

Na mesma hora, a quilômetros dali, o verdadeiro Roberto faz o grande show comemorativo de seus 50 anos de carreira, no Rio de Janeiro. Está feita uma improvável conexão Maracanã-Água Verde.

SHOW DE TECNOLOGIA

Nos últimos anos, alguns conjuntos de baile também passaram a ser chamados de "bandas show", por conta do aparato que envolve suas apresentações. A começar pelas dançarinas, que tomam conta do palco com seus figurinos e coreografias extravagantes. Mas o que enche mesmo os olhos - e ouvidos - do público são as novidades tecnológicas.

Uma aparelhagem que se preze deve incluir um sistema de luz e som de ponta, além de telões de alta definição (vários, se for possível). São toneladas de equipamentos, carregadas para lá e para cá de acordo com a exigência do contratante. "Para o show de hoje, só trouxemos 20% do que temos", conta Odilon, técnico do Supercap, diante de uma infinidade de traquitanas. Imagina a estrutura inteira...

Guitarrista e gerente da banda Fonte Luminosa, de Atalaia, Jeferson Fontinhas diz que os avanços tecnológicos obrigam os grupos a trocar de equipamentos anualmente. Recentemente, o conjunto comprou novos canhões de luz e trocou todos os telões convencionais por aparelhos de plasma. "O contratante e o público observam muito se a estrutura está atualizada", afirma.

As tecnologias de comunicação são igualmente importantes. Principalmente a internet, que se tornou o principal cartão de visitas dos grupos. Todos têm site, comunidade no Orkut, canal no YouTube, etc. "A internet é tudo hoje. É um vício para o jovem, e o adulto que não entrar nessa vai ficar por fora", diz Jair.

Jeferson vê outra utilidade na web. Para ele, a rede é uma forma de ficar "plugado" nos hits do momento. "Antes de fazer um show em Brasília, por exemplo, a gente entra nos sites das rádios de lá para saber o que anda tocando, as músicas mais pedidas", explica.

MINHAS MÚSICAS DO ANO


INTERNACIONAL

N.E.R.D. - "Hypnotize U"
Kanye West ft Jay-Z, Rick Ross, Nicki Minaj e Bon Iver - "Monster"
Janelle Monáe ft Big Boi - "Tightrope"
Ariel Pink's Haunted Graffiti - "Round and Round"
N.E.R.D. - "Victory"

INTERNACIONAL (POPULAR)

Ke$ha - "Tik Tok"
Edward Maya & Vika Jigulina - "Stereolove"
Lady Antebellum - "Need You Now"
Rihanna - "Rude Boy"
Katy Perry - "Teenage Dream"

NACIONAL

MV Bill - "O Bonde Não Para"
Cérebro Eletrônico - "Os Dados Estão Lançados"
Lurdez da Luz - "Andei"
Charme Chulo - "Nova Onda Caipira"
Do Amor - "Morena Russa"

NACIONAL (POPULAR)

Exaltasamba - "Fugidinha"
NX Zero - "Só Rezo"
DJ Maluco & Aladin - "Zuar e Beber"
Fábio Elias - "Parei"
Jorge Vercillo & Filó Machado - "Arco Íris"

CLINT XAVIER


E a primeira cabine de 2011 não poderia ser melhor: Além da Vida, o novo do Clint Eastwood.

É claro que o velho mestre não decepciona. Novamente, sua direção precisa e enxuta faz toda a diferença na hora de contar uma história que quase escorrega para o dramalhão. O resultado é um filme "espírita" que faz Chico Xavier e Nosso Lar parecerem episódios de Malhação.

O roteiro, igualmente certeiro, entrelaça as trajetórias de três personagens envolvidos, de alguma forma, com "o outro lado". Todos marcados por tragédias e fatalidades - como é de praxe na obra do cineasta.

A francesa Marie tem uma experiência de quase morte (numa sequência inicial incrível). O garoto inglês Marcus não consegue superar a perda do irmão gêmeo. E o vidente americano George nega a própria mediunidade para ter uma vida normal.

Com a serenidade e segurança de sempre, Eastwood amarra o destino do trio sem apelar para soluções mirabolantes. Também não faz panfletagem pró-espiritismo. Pelo contrário. Seu filme mais investiga o tema do que reforça uma tese.

De resto, temos os ótimos desempenhos da lindíssima Cécile De France, dos atores-mirins Frankie e George McLaren e de Matt Damon, o astro que nunca entra em barca furada. Nesta época de entressafra nos cinemas, Além da Vida é o programão do fim de semana.

NEM PÂNICO, NEM CQC



O melhor programa de humor da tevê brasileira é o Vinho à Mesa. Nas madrugadas de segunda para terça, à 0h30, na Rede TV.

MEUS SHOWS DO ANO


1. Erasmo Carlos (Virada Cultural)

2. Afrika Bambaataa (John Bull Music Hall)

3. Cidadão Instigado (John Bull Pub)

4. Melina Mulazani e Os Mulheres Negras (Paiol)

5. Arlindo Cruz (Vanilla)

6. MV Bill (Yankee)

7. Sandra de Sá (Virada Cultural)

8. Charme Chulo (Jokers)

9. Do Amor e Banda Gentileza (Jokers)

10. Panelaço / Várias bandas (Virada Cultural)

MEUS FILMES DO ANO


ESTRANGEIROS

1. Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme

2. Ilha do Medo

3. Cyrus

4. Destinos Ligados

5. Amor Sem Escalas

6. Greenberg

7. A Estrada

8. Zumbilândia

9. A Rede Social

10. Homem de Ferro 2


NACIONAIS

1. Uma Noite em 67

2. Como Esquecer

3. Tropa de Elite 2

4. É Proibido Fumar

5. A Suprema Felicidade

MEUS DISCOS DO ANO


INTERNACIONAIS

1. Janelle Monáe - The ArchAndroid (Suites II and III)

2. Big Boi - Sir Lucious Left Foot: The Son of Chico Dusty

3. Kanye West - My Beautiful Dark Twisted Fantasy

4. Manic Street Preachers - Postcards from a Young Man

5. Ariel Pink's Haunted Graffiti - Before Today

6. N.E.R.D - Nothing

7. Tame Impala - Innerspeaker

8. Girl Talk - All Day

9. Prince - 20Ten

10. Cee Lo Green - The Lady Killer


NACIONAIS

1. Lurdez da Luz - idem

2. Seu Jorge e Almaz - idem

3. Cérebro Eletrônico - Deus e o Diabo no Liquidificador

4. MV Bill - Causa e Efeito

5. Emicida - Emicídio

ENTREVISTA: ANDRÉ GONZALES (MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU)


Os brasilienses tocam em Curitiba no domingo, com os locais do Gentileza. Seguem trechos do papo.

BASE EM BRASÍLIA

Há uma vantagem de estar Brasília, pois nos últimos anos surgiram novos palcos, novos festivais no Brasil. O circuito dos festivais saiu do eixo Rio-São Paulo e agora está forte também no Norte e no Nordeste. Nesse sentido, Brasília é um ponto estratégico para viajar e atingir o país de forma mais ampla.

Claro que em São Paulo a circulação de gente, mídia e investimento é bem maior. Isso é visível no nosso calendário deste ano, em que tocamos mais no estado de São Paulo do que no Distrito Federal. Talvez tívessemos uma redução de custos morando lá, mas ficando aqui a gente faz mais pela nossa cidade.


BANDA-EMPRESA

Só dois integrantes têm outros empregos, o restante se dedica exclusivamente à banda e participa da divisão das tarefas. No fim de 2009, recebemos uma consultoria em administração, de um grupo da UNB, que estruturou o Móveis como se fosse uma empresa, em setores. Comunicação, finanças, administrativo, logística, relações instituicionais, vendas...

Hoje somos uma empresa mesmo, emitimos nota fiscal. A gente ainda está aprendendo, ainda tem que melhorar alguns processos. Mas somos muito cautelosos. Não queremos inflar demais nossa estrutura, para não criar uma dependência disso. Além do mais, se você aumenta o volume de pessoas trabalhando com a banda, passa a ser responsável por elas.

Ninguém gosta de fazer contas, montar tabelas. É chato mesmo. Mas vale a pena. Porque quando você cuida do próprio negócio, passa a colocar na parte burocrática os valores que já coloca na parte artística. No nosso caso, são coisas em que a gente acredita, como o processo coletivo, o desapego, a flexibilidade.


LETRAS EM SEGUNDO PLANO?

De fato, as letras da banda são pouco comentadas em comparação com os shows, com a interação da plateia. Mas cada disco tem uma temática definida.

O primeiro fala, de forma geral, do indivíduo na modernidade. Um personagem que tem a necessidade de agradar a todos, cheio de compromissos e sem tempo de cumprir todos eles. É uma sátira, bem irônica e nonsense, ao comportamento humano.

O segundo disco já fala de outra coisa. É reflexo do processo de criação coletiva que foi sendo construído na banda e também da nossa relação com o público. Ou seja, o assunto é o próprio processo. É essa troca.


TERCEIRO ÁLBUM

O álbum cheio é importante, sim. Para a banda, o público e a mídia. Porque ele tem um conceito, uma identidade definida. E isso facilita o diálogo.

No começo do ano que vem, vamos entrar em estúdio com um produtor (Dudu Marote) para gravar um EP, talvez com três músicas. É uma forma de não deixar o público sem material novo e, ao mesmo tempo, dar um primeiro passo para o terceiro disco. A ideia é que o álbum fique pronto até o fim do ano que vem. Mas acho que o lançamento mesmo só vai acontecer em 2012.


AVALIAÇÃO 2010

Em todos os anos da nossa história a gente sentiu um crescimento. A trajetória da banda é progressiva, é uma caminhada. Não acontece nada de repentino. Estamos construindo uma relação sólida com o nosso público.

Mas 2010 começou muito bem, com os shows e a gravação do DVD no auditório do Ibirapuera. Teve ainda o festival Natura Nós About Us, a música na novela, o projeto de covers Adoro Couve e mais uma edição do nosso próprio evento, o Móveis Convida.

Este ano também começamos a nos envolver mais na discussão sobre a música em Brasília, participando da Cebac-DF, a Comissão de Bandas e Artistas Circulantes. A ideia é organizar os artistas para ter uma representação política maior.

ENTREVISTA: MV BILL


O rapper lança hoje, em Curitiba, o disco Causa e Efeito (2010). Seguem trechos da entrevista que fiz com ele para A Outra Folha da Terra.

MÚSICA

Esse é, com certeza, o meu melhor momento musical. Ou, talvez, o primeiro momento em que eu consigo equilibrar todas as minhas atividades. Porque a minha música nunca teve tanta atenção. Mas nunca fui frustado pelo fato de os meus discos não terem tanta visibilidade quanto os meus feitos sociais.

(...) Esse disco é um dos mais diversificados e politizados da minha carreira. Mas também tem um certo resgate, uma conexão com uma realidade que eu vivi quando gravei o Traficando Informação (2000). Em algumas músicas, falo do tratamento desdenhoso que a polícia e a clásse média dão para a juventude e os moradores de favela. Um distanciamento que continua igual.

(...) Aprendi a não podar minha música, a não querer controlar quem ela poderia atingir. Percebi que muitas pessoas para quem eu direcionava meu trabalho não estavam nem aí para ele. Queriam curtir outros ritmos, outros tipos de som. Hoje, muita gente que não é pobre e nem favelada gosta da minha música. E isso não me preocupa mais.


GUERRA CONTRA O TRÁFICO

Particularmente, não olho isso com espanto. Quem acompanha o rap desde os anos 90 sabe que o barril de pólvora já estava armado faz tempo. Muitas pessoas viviam da venda de drogas e concentravam um grande poderio bélico. Quando o Estado decidiu desarmá-las, elas reagiram com violência. Só espero que esse não seja o único tentáculo do Estado no Alemão. Que outros exércitos, sociais, sejam enviados para lá também.

(...) A Cidade de Deus foi uma das primeiras comunidades a receber a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). Como a gente não tinha referência do que era a UPP, e ninguém explicou direito, não soube se preparar para a invasão.

(...) Não sei quantificar os excessos cometidos por policiais. Mas se aconteceu uma vez, para mim já é decepcionante. Porque a população das comunidades não é contra a polícia, e sim contra a metodologia usada por ela. Em 2007, por exemplo, a Cufa (Central Única das Favelas) fez uma pesquisa para saber o que os moradores da Cidade de Deus achavam do Caveirão. E, surpreendentemente, a maioria aprovou.


MEDO

O momento mais complicado, tenso e triste da minha vida foi em 2002. Eu estava andando pela Cidade de Deus quando um policial me abordou e ficou andando 20 minutos comigo, com um revólver nas minhas costas. Me chamou de macaco, ridicularizou minhas tatuagens. Eu já era uma referência na comunidade, e todas as crianças viram aquilo, os moradores ficavam pedindo para ele me soltar.

(...) Esse policial foi assassinado no ano passado. Parece que era envolvido com mílicias, respondia a dois processos por agressão a civis. Durante muito tempo tive receio de que ele voltasse para me matar.

AVIÃO COM TIRIRICA FAZ POUSO DE EMERGÊNCIA...



... em 1996.

O REI DA FAROFA


Let’s have a toast for the douchebags
Let’s have a toast for the assholes
Let’s have a toast for the scumbags
Every one of them that I know


Alô, povo "alterna"! Dessa vez não tem desculpa, hein? Até a bíblia indie-esquisitona deu nota máxima para o disco novo do Kanye West!



Baixe aqui My Beautiful Dark Twisted Fantasy. Mais uma obra de arte-farofa do boçal (agora assumido, arrependido) mais talentoso do pop.

E para quem já curte, saca só o que vem por aí...