BALANÇO

Saiu o resultado daquela eleição dos discos da década. Para saber os ganhadores e quem votou em quem, comece por aqui.
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TORCEDORES, SIM
Toda vez que o pau come por causa de futebol, ouve-se o mesmo clichê: "Não são torcedores, e sim criminosos travestidos de torcedores".
Cair nesse lugar comum é o primeiro passo para não refletir honestamente sobre o problema. Porque os brigões de plantão são, sim, torcedores.
Torcedores alimentados por uma cultura de ódio, em grande parte motivada por dirigentes, técnicos, atletas e até mesmo pelos meios de comunicação. Ouça uma transmissão de rádio em Curitiba e diga se estou exagerando.
Mesmo os que não partem para as vias de fato vão ao jogo para urrar, xingar, extravasar suas frustrações. E ainda ensinam isso para os filhos.
É claro que há uma distância enorme entre zoar e brigar. Mas agir como um animal enjaulado num estádio de futebol não é, definitivamente, a minha concepção de um programa divertido.
A foto é do Theo Marques.
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TELECURSO

Eu, que nunca dei muita bola para o Caco Barcellos, hoje pago o maior pau para o Profissão Repórter - de longe, o melhor programa da Globo atualmente.
Ontem rolou o complemento da cobertura da reta final do Brasileirão. E a equipe matou a pau de novo, em mais uma daquelas aulas que não se tem na faculdade
Mesmo a parte de Curitiba, prejudicada pela inexperiência do foca, rendeu uma discussão interessante sob os limites da reportagem. De lambuja, mostrou o total despreparo dos seguranças do Couto Pereira, que tentaram proibir o time do Fluminense de se proteger no túnel dos árbitros.
Se você não viu, corre que tem aqui.
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REALIDADE PARALELA

Não quero ficar implicando com o Planeta Diário, onde tanto aprendi. Mas essa foi demais.
O RÁDIO NA TELA E NO PAPEL
Livro e filme que serão lançados hoje tratam do veículo de comunicação que teima em existir
Trabalho (com muito gosto) nos dois meios e garanto: se há um suporte que "teima em existir", este é o jornal impresso. O rádio vai bem, obrigado.
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"E A TORCIDA QUERIA AC/DC"
É claro que já fizeram uma versão de A Queda zoando o papelão do Coxa.
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CAMPEÃS DE AUDIÊNCIA
Não que eu seja um Gugu da internet, sempre de olho na audiência. Mas o contador de visitas tem me ajudado a entender um pouco o funcionamento do meio.
Como escrevi em outro post, as estatísticas do blog de reportagens são as que mais me trazem surpresas. Uma delas dá conta das matérias "campeãs de audiência".
Obviamente, assuntos como swing, baloeiros, gays ursos, santo daime e naturismo sempre atraem visitantes. O que eu não esperava, no entanto, é a procura diária por dois temas em especial: o mercado de apliques para cabelo e a multiplicação dos serv-cars em Curitiba.
"Seu Cabelo é da Hora" e "Que Tal um Pit Stop?" são os textos mais acessados de O Último a Sair. Não passa sequer um santo dia sem que alguém caia neles. O motivo, creio eu, é a falta de outras referências locais na web.
Para quem não leu, seguem os tradicionais trechos. A foto acima, que ilustra a reportagem sobre sexo no carro, é do Marcos Borges. Mais embaixo, tem uma da Letícia Moreira.
(...) Atire a primeira pedra quem nunca namorou numa lanchonete drive-in. Ou melhor: num serv-car, como esse tipo de espaço é chamado em Curitiba - e apenas em Curitiba.
Ok, talvez não seja o seu caso. Mas alguém próximo certamente já desfrutou os prazeres da vida, com privacidade, dentro de um carro. Se você ainda não deu o braço a torcer, saiba que essa é uma atividade lucrativa, que começou há mais de 20 anos nos bairros centrais e hoje se expande pelos periféricos.
(...) A fachada é de uma lanchonete comum, com balcão e móveis de plástico. O estacionamento fica atrás, com 10 vagas individuais separadas por paredes. Em vez de portões de metal, como nos motéis, lonas de caminhão protegem os carros dos olhares alheios. Com o calor que anda fazendo, parecem verdadeiros fornos.

(...) O cabeleireiro José Alvino Godói se vangloria de ser o pioneiro de um mercado que não para de crescer no centro da cidade. Há 12 anos, ele compra e vende cabelos nos arredores do Terminal Guadalupe, onde também mantém um salão. Um negócio tão rentável que chega a envolver a exportação de madeixas para países como Israel e Estados Unidos.
(...) Mal instalou seu salão por ali, Cleide logo percebeu que deveria diversificar os negócios. Hoje, lucra mais vendendo cabelos do que cortando. O início, no entanto, foi um pouco traumático. "Eu tinha pavor de pegar. Ficava pensando se aquilo não tinha vindo de um defunto", lembra.
Superado o estágio do nojo, é importante ter um olho clínico para encontrar bons materiais. Pois os compradores, normalmente cabeleireiros de salões elitizados, estão cada vez mais exigentes. "Tem que ser comprido, macio e hidratado. Cabelo seco e com tintura ou química não dá", ensina outra veterana da área, Terezinha Rodrigues, há 10 anos na ativa.
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A FORÇA QUE NUNCA SECA

Meu primeiro show da Bethânia foi surpreendente. Pensei que, aos 63 anos, ela não teria o mesmo pique de antes. Felizmente, descobri que estava enganado logo no início (eletrizante) da apresentação do último sábado, no Guairão.
A baiana continua sendo "uma força da natureza", como diria o outro. Mostra vigor até nos momentos mais intimistas. Coisa de quem acredita em cada verso que canta - e canta como se estivesse mandando recados.
Do cenário aos músicos, o aparato é enxuto e eficiente. Principalmente a banda, que faz uma síntese sofisticada de ritmos regionais e latinos. Aliás, a própria cantora é uma espécie de guardiã de sons esquecidos.
Mas nem tudo é passional e primitivo na artista. Como poucas, ela sabe o que quer e como conduzir sua carreira. Mesmo a Gal se perdeu - e hoje só acerta se tiver um produtor de peso por trás. Terminado o espetáculo, tive a certeza: estava diante da cantora mais inteligente do Brasil.
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JORNALISMO-CAROLA

E essa história das pulseiras do sexo, hein?
Não bastasse ser outra pérola do jornalismo-carola da província, também é o factóide mais tosco dos últimos tempos.
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"A RUA É NÓIZ"
Dessa vez, acredite no hype: Emicida é mesmo tudo o que andam falando. Desde a mixtape dos cearenses do Costa a Costa, lançada há dois anos, eu não me empolgava com um artista de rap brasileiro.
Esse paulistano de 24 anos, revelado em batalhas de MCs, tem um arsenal de rimas digno dos grandes da cena nacional (que, convenhamos, não são muitos). Quem mais por aqui citaria personagens como Sun Tzu, Stanley Kubrick, Hellboy e Donald Trump num disco de hip-hop?
Se bem que, segundo ele, seu primeiro registro ainda não é um disco, e sim uma mixtape. Falta uma produção que realce mais as bases, é verdade. Mas, para mim, tanto faz. Já entrou na lista dos melhores de 2009.
Baixe aqui os 25 sons de Pra Quem já Mordeu um Cachorro por Comida, Até que Eu Cheguei Longe.
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COINCIDÊNCIA OU NÃO

No Natal do ano passado, ganhei das minhas filhas (ou melhor, da mãe delas) o premiadíssimo O Filho Eterno, do Cristovão Tezza. Fui adiando a leitura, dando prioridade para outros livros, e só comecei há poucos dias. Mas como é bom, hein? Que ritmo! Passei da metade e o pique ainda não caiu.
Algumas amigas não gostaram muito. Entendo. O livro fala diretamente para o público masculino, essa parcela das criaturas que só aprende na base da paulada.
Com um desembaraço que deve ter levado anos para vir à tona, Tezza expõe tudo o que pensou e sentiu na luta para aceitar o filho com Síndrome de Down. Mesmo as ideias mais cruéis estão lá. Ainda quero chegar nesse nível de sinceridade.
Coincidência ou não, anteontem o Geneton publicou uma entrevista que complementa a minha leitura. Ele conversou com o francês Jean-Louis Fournier, diretor de tevê e autor de Aonde a Gente Vai, Papai?, em que conta sua experiência com os dois filhos deficientes. Com a mesma franqueza de Tezza, Fournier chega a dizer que "perdeu na loteria genética".
Seguem trechos do papo. A íntegra você lê aqui.
(...) O que é extraordinário é que, quanto a estas crianças, ninguém pergunta por elas. As pessoas ficam incomodadas. Porque a verdade é que não há nada a dizer sobre as crianças deficientes. Não podemos dizer: o que é que elas estão estudando? Fizeram provas? Arranjaram uma namorada?
(...) O fato de não ser parecido com os outros não quer dizer, necessariamente, que você não seja tão bom quanto os outros. As crianças deficientes são um mistério. Não temos o direito de dizer que a vida que elas vivem não é interessante, já que não sabemos.
Quase terminando este post, achei outro texto do Geneton, dessa vez sobre o próprio livro do Tezza. Não sei se ele tem algum interesse especial pelo tema. Talvez seja apenas mais um pai que, como eu, "ganhou na loteria genética" - mas não perde o interesse pelas histórias secretas das pessoas.
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