MEUS FILMES DO ANO


1. Melancolia
(de Lars von Trier, com Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg)

2. Além da Vida
(de Clint Eastwood, com Matt Damon e Cécile De France)

3. Um Novo Despertar
(de Jodie Foster, com Mel Gibson e Jodie Foster)

4. A Pele que Habito
(de Pedro Almodóvar, com Antonio Banderas e Elena Anaya)

5. O Vencedor
(de David O. Russell, com Mark Wahlberg e Christian Bale)

6. Sentimento de Culpa
(de Nicole Holofcener, com Catherine Keener e Oliver Platt)

7. Todo Mundo Tem Problemas Sexuais
(de Domingos Oliveira, com Pedro Cardoso e Cláudia Abreu)

8. Inverno da Alma
(de Debra Granik, com Jennifer Lawrence e John Hawkes)

9. Fúria sobre Rodas
(de Patrick Lussier, com Nicolas Cage e Amber Heard)

10. Vejo Você no Próximo Verão
(de Philip Seymour Hoffman, com Philip Seymour Hoffman e Amy Ryan)

MEUS DISCOS DO ANO


INTERNACIONAIS

1. Destroyer – Kaputt

2. Friendly Fires - Pala

3. TV On The Radio – Nine Types of Light

4. Jamie Woon – Mirrorwriting

5. Theophilus London – Timez Are Weird These Days

6. Gotye - Making Mirrors

7. Buffalo Tom - Skins

8. Tahiti 80 - The Past, The Present & The Possible

9. Washed Out – Within and Without

10. Mastodon - The Hunter


NACIONAIS

1. Erasmo Carlos - Sexo

2. Junio Barreto - Setembro

3. Rubinho Troll - Stinkin Like a Brazilian

4. Lê Almeida - Mono Maçã

5. Kassin - Sonhando Devagar

6. Fábio Góes - O Destino Vestido de Noiva

7. mundo livre s/a - Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa

8. Emicida - Doozicabraba e a Revolução Silenciosa

9. Rômulo Fróes - Um Labirinto em Cada Pé

10. Banda Uó - Me Emoldurei de Presente pra te Ter

A FÉ GLOBALIZADA


Reportagem, inédita no blog, sobre a Fé Bahá'í - uma das religiões monoteístas mais novas (e que mais cresce) no mundo. A figura acima é Bahá'u'lláh, o profeta iraniano que, segundo os bahá'ís, previu a globalização e a internet, entre outros adventos contemporâneos. O texto original saiu em fevereiro de 2010, na Folha de Londrina.

Está em curso, no Irã, um julgamento que vem sendo acompanhado com atenção pelos EUA, a União Européia, a ONU e diversos grupos defensores dos direitos humanos. Sete líderes da Fé Bahá'í, uma das mais significativas minorias religiosas daquele país, podem ser punidos com a pena capital caso sejam condenados. Eles são acusados pelos crimes de corrupção, blasfêmia contra o Islã, conspiração e espionagem para Israel.

Até o presidente Lula interveio a favor dos bahá'ís durante seu último encontro com o chefe do governo iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Mas os apelos foram em vão. Se condenados, os líderes vão engrossar o número de fiéis mortos desde 1979, quando a Revolução Islâmica reforçou a perseguição - que já existia - aos membros da chamada ''seita desviada''.

Uma das religiões monoteístas mais novas, a Fé Bahá'í surgiu no fim do século 19, na Pérsia (onde hoje é o Irã). Espalhou-se rapidamente pelo mundo e atualmente conta com cerca de 7 milhões de seguidores em 240 países. Inclusive no Brasil, onde 50 mil pessoas - descendentes de iranianos ou não - declaram-se bahá'ís.

Os adeptos crêem que o fundador do movimento, Bahá'u'lláh (1817-1892), foi um mestre divino como Buda, Moisés, Maomé, Krishna, Jesus Cristo etc. Em 1863, ele declarou ser o portador de uma mensagem que defendia a unidade das religiões e a igualdade entre os sexos, entre várias outras propostas inovadoras para a época. Logo passou a ser perseguido e terminou seus dias preso na região da Palestina Otomana, atual Estado de Israel.

Aliás, a Casa Universal da Justiça, sede mundial da Fé, fica na cidade de Haifa, em território israelense. É o suficiente para que o governo iraniano acredite que os bahá'ís sejam espiões em defesa do sionismo. O que os impede de se aposentar, ingressar num curso superior, trabalhar como funcionários públicos - enfim, de exercer uma cidadania plena.

UNIFICAÇÃO PLANETÁRIA

Bahá'u'llhá ainda anunciou o advento de uma nova era, baseada na unificação dos homens e do planeta. Em uma série de cartas que enviou aos principais governantes mundiais de seu tempo, ele sugeriu a criação de um tribunal internacional moderador, a implantação de uma língua auxiliar comum a todos os povos, a obrigatoriedade da educação e a redução drástica dos gastos militares.

Para os fiéis, a globalização, como conhecemos, é o início de uma fase de ''maturidade'' da humanidade, baseada na paz universal e no desenvolvimento das potencialidades do indivíduo. Eles também acreditam que o profeta previu a criação da internet (''a base comum para a comunicação dos povos'').

Essa busca por unidade é justamente o principal alvo das críticas contra o bahaísmo, muitas delas feitas em tom de teoria conspiratória. Textos disponíveis na web, especialmente em sites de denominações evangélicas, acusam os líderes de tramar o estabelecimento de uma nova ordem mundial que vai apagar todos os traços culturais e religiosos das nações. E mais: o plano de dominação começa pela infiltração em pontos estratégicos das Nações Unidas.

A Fé Bahá'í tem mesmo fortes laços com a ONU, onde possui ''status consultivo não-governamental'' no Conselho Econômico e Social. Mas os seguidores se defendem alegando que essa ligação tem como objetivo impulsionar os mais de 300 projetos de educação mantidos pela comunidade mundo afora. No mais, os bahá'ís garantem que o surgimento de uma civilização única não significa a eliminação de valores anteriores. A justificativa está em um de seus motes - ''unidade na diversidade''.

NO BRASIL

Entre o fim dos anos 50 e o início dos 60, milhares de bahá'ís se espalharam pelo mundo numa espécie de cruzada religiosa incentivada pela liderança mundial. Parte deles veio para o Brasil, como os pais do empresário Omid Afnan, 49 anos, membro do corpo administrativo da assembleia de Curitiba. ''Os próprios fiéis são o elo de divulgação da Fé. Por isso não temos um canal de televisão, não falamos para multidões'', afirma.

Omid explica que não existe um clero na comunidade, tampouco sacerdotes remunerados. Sendo assim, os seguidores devem estudar e se capacitar para ensinar outras pessoas. Os encontros mais frequentes acontecem nas festas dos 19 dias, ocasiões em que os bahá'ís se socializam, rezam e tratam de assuntos administrativos. Em tempo: o calendário do bahaísmo é organizado em 19 meses de 19 dias, que somados dão 361 dias - os quatro restantes são destinados à caridade.

Também não há dogmas rígidos, somentes princípios semelhantes aos de outras religiões. Os fiéis devem fazer contribuições financeiras (sem valor estipulado) e respeitar a castidade até o casamento, que deve ser aprovado pelas duas famílias envolvidas. O divórcio, o consumo de substância entorpecentes e o homossexualismo são condenados.

O bancário Adib Shaikhzadeh, 26, jamais colocou uma gota de álcool na boca. E por ser solteiro, ainda não iniciou sua vida sexual. ''Bahá'u'lláh escreveu que o homem e a mulher formam um pássaro. Eles devem bater as asas juntos, com a mesma força'', diz o rapaz, de família iraniana, que passou o ano de 2003 em Israel, fazendo trabalhos voluntários na Casa Universal da Justiça.

Mas ninguém será excomungado se infringir uma dessas regras. Omid, por exemplo, é separado e tem um filho com a segunda mulher. Mesmo os gays não podem ser segregados, pois Bahá'u'lláh não admitia o preconceito.

"RELIGIÃO ATUAL"

Em meados de janeiro, bahá'ís de todo o Brasil se reuniram em Curitiba para três dias de estudos intensivos. O encontro, ao contrário do que se possa pensar, não contou apenas com descendentes de iranianos. ''Esta é a religião mais atual que existe'', orgulha-se o engenheiro Everson Poletto, 50, um ex-católico de origem italiana. ''Conheci a Fé há 15 anos, e nem por isso preciso esquecer que fui cristão'', emenda.

O publicitário Gabriel Marques, 52, veio de Salvador especialmente para o evento. Lá, ele conta, o caráter ecumênico do bahaísmo é ainda mais forte. ''Nossa comunidade é composta por 80% de baianos nativos. Então é comum que as reuniões tenham elementos do cristianismo e até mesmo tambores do candomblé'', revela.

Nascido numa família de católicos convictos e praticantes, Gabriel conheceu a Fé nos anos 70, quando se encantou com a ''forma aberta de conversar'' dos seguidores. Ele não usa o termo ''conversão'', e sim ''aceitação''. ''É que você não deixa uma coisa para entrar na outra'', diz, reafirmando o conceito bahá'í de que religião é continuidade.

Quanto à ideia de uma civilização mundial (que para muitos representa uma ameaça à diversidade), o publicitário acredita que este é um caminho natural na evolução da humanidade. ''Primeiro veio o indivíduo, depois a família, a tribo, a nação... O próximo passo é a planetização'', afirma.

Isso significa que o apocalipse, tão anunciado por outros credos, não está próximo? ''Com certeza, não. Nesse sentido, a Fé é a única religião que tem uma visão positiva do futuro'', conclui.

RELATO DE UMA REFUGIADA

Há 22 anos, a situação dos bahá'ís iranianos já beirava o insuportável. Suas sedes e escolas foram fechadas ou transformadas em ''bens islâmicos''. Proibidos de ingressar no serviço público, os fiéis também não podiam manter negócios próprios. Para o governo, seu dinheiro era ''impuro''.

Foi nesse cenário que a família de Rouhangiz Hamidi, hoje com 50 anos, começou a alimentar a ideia de deixar do país. Ou melhor: fugir, pois os fiéis da minoria religiosa estavam impedidos de tirar passaporte. O plano era viajar de Teerã até a fronteira com o Paquistão e, de lá, buscar asilo num escritório da ONU.

Para isso, os Hamidi deram o carro e a casa que tinham em troca de ajuda na fuga. Com apenas uma bolsa de roupas como babagem, ela, o marido e os dois filhos pequenos literalmente correram durante oito horas na região entre os países. Detalhe: a criança mais velha tinha dois anos e a caçula, apenas 40 dias. ''Dormi na areia, com o bebê deitado no meu peito'', lembra.

Já no Paquistão, a família encarou mais dois dias dentro de um trem, ainda sob o risco de ser descoberta, até chegar ao posto das Nações Unidas. Na época, o governo brasileiro era um dos que mais acolhia bahá'ís refugiados, e foi para cá que eles vieram.

Conseguiram empregos e se adaptaram rapidamente, mas muitos de seus parentes ainda sofrem no Irã. ''Desde então, não vi mais a minha mãe. E meu pai morreu quando já estávamos aqui'', conta Rouhangiz, para quem o sucesso na fuga foi um milagre.

PENSE NISSO!


Fui obrigado a resgatar a série Releases Inesquecíveis.

É natural nos querermos o melhor, principalmente qdo isso implica na questão financeira, e tbm no bem estar pessoal.

Porém, sempre devemos analizar a situção e os diferenciais que estamos a enfrentar. Estou escrevendo esse E-mail a vc, e não quero me estender muito.

Se você tem dinheiro pra comprar um Fusca ou tbm um Vectra, com qual carro vc ficaria? Quais o beneficios q ambos te ofereceriam, qual o custo beneficio, valeria a pena pagar menos pelo fusca, ou pagar mais pelo Vectra?

Nos deparamos no dia a dia com varios covers de THE DOORS, eu posso montar um super cover de THE DOORS e oferecer a vcs por um preco super irrisorio, porém, onde está o diferencial dele? Como posso acrescentar no valor moral e intelectual de seus Eventos e Estabelecimentos?

Pense nisso!

Uma banda reconhecida pelos Integrantes Vivos da banda THE DOORS original, como sendo a melhor banda cover da América Latina, não pode ser questionada por nós, pois quem compôs, gravou e executou as musicas originais por toda suas vidas ja deram esse Título!

Venho através deste lhe apresentar um pouco do trabalho da banda 5TO1, Cover Oficial Latino Americano do THE DOORS, reconhecimento este, dado pelos Remanescentes Ray Manzarek e Robby Krieger no encontro com os musicos em uma apresentação realizada no HSBC em São Paulo em 2008.

Confira o material da banda e conheça uma das únicas bandas covers do Brasil com reconhecimento dos músicos originais.

POTENCIAL


Isso de potencial não quer dizer nada. Você tem que realizá-lo. Qualquer bebê abandonado numa caixa de sapato tem mais potencial do que eu.

VI SHOWS: LUCAS SANTTANA E DO AMOR (AMBIENTAL, 26/8)


A ideia original era ver MV Bill, Emicida e outros menos votados no Master Hall. No entanto, uma gripe me impedia de enfrentar a maratona que é um show de rap em Curitiba. Os artistas se embaçam, a programação atrasa, a cerveja é cara... Sem contar as tretas.

Em julho, quando os Racionais tocaram no mesmo local, quase voou um sofá do camarote para a plateia. Eu mesmo, sem querer, derrubei bebida num cara do andar debaixo e por pouco não tomei porrada na saída. Por essas e outras, preferi me resguardar e acho que fiz bem, já que no dia seguinte o próprio Emicida reclamou de confusão via Tuíter.

No melhor estilo "classe média sofre", optei pela tranquilidade de assistir ao Lucas Santtana no Ambiental Bar. Ainda que não seja grande fã, acompanho o baiano desde o primeiro disco, quando o entrevistei para o Planeta Diário – digo, Gazeta do Povo. Mas pesou na decisão a informação de que sua banda de apoio, Seleção Natural, conta com três integrantes do grupo Do Amor (que conferi ao vivo em 2010 e curti bastante).

Aliás, a apresentação da última sexta-feira foi a terceira do Do Amor por aqui em poucos meses – e a segunda do Lucas. Enquanto isso, artistas que lançaram bons discos em 2011 (Rômulo Fróes, Criolo, Fábio Góes, etc.) continuam longe dos palcos locais.

BARRADA NO BAILE

Bronca de quem não manja nada de produção à parte, vamos ao que interessa. Chegamos (eu, Fer, Andressa) no Ambiental pouco antes da 0h30. Logo de cara, uma baixa: Andressa deixou a carteira de identidade em casa e foi sumariamente barrada na porta.

Na esperança de que ela voltasse (com a situação regularizada, claro), entramos no bar quando os músicos já estavam se ajeitando no palco. Além dos "três do Amor", a banda ainda tinha, nas programações eletrônicas, um careca que eu não conhecia e o multiinstrumentista Lucas Vasconcelos, da ótima dupla Letuce. Grata surpresa!

Mal a primeira música começou, outra boa notícia: Andressa estava de volta na área, bem como outros conhecidos gente fina (Enio, Matheus, Vinícius, Cristiano, Constance, Heitor). Na real, o lugar não estava cheio, longe disso. Mas como boa parte dos grandes shows que eu vi na vida foi um fracasso de público, não desanimei.

E nem poderia, já que os seis entraram em cena com todo o gás, colocando todo mundo para dançar. Passaram pelo rock, reggae, dub, funk (carioca, inclusive) com uma facilidade impressionante. Cheguei a pensar: "E ainda tem gente que prefere balada com DJ".

No meio do povo, um sujeito de cavanhaque e camisa do Sport Club do Recife parecia estar numa festa pela primeira vez. Como pulava, o doido! Lá pelas tantas, tentou, em vão, puxar umas meninas para dançar carimbó, ou algo que o valha. E não é que o danado conseguiu dar uns passinhos com a Andressa?

CADÊ O BAIANO?

O clima só ficou meio estranho quando o Lucas Santtana anunciou que os músicos Do Amor tocariam canções próprias. Até aí, tudo bem, já era esperado. Os cariocas assumiram o comando e a animação da turma continuou igual. O problema é que o baiano desceu do palquinho e nunca mais voltou! Deve ter ido comprar cigarro...

Se ao todo rolou uma hora e quinze de som, foi muito. Ninguém conseguiu esconder o sentimento de frustração – talvez nem os organizadores. Esperávamos um bailão sem hora para acabar e tivemos um "coito interrompido", como bem definiu o Matheus.

"Coisas da vida", diria Vonnegut. Nosso reality show continua na semana que vem, se a programação permitir. Alguma dica?

PS – A foto da vez é da Miriane Figueira. Se alguém mais quiser colaborar, fique à vontade.

VI SHOWS: KARINA BUHR, GENTILEZA, VENDO 147 (ESPAÇO CULT, 19/8)


A partir de agora, vou tentar comentar os shows que vejo por aí. A ideia é recuperar a cobertura "pós-evento", quase abandonada pela imprensa cultural de hoje em dia.

Em vez de vender os eventos dos outros, como a maioria dos meus colegas se limita a fazer, pretendo mostrar minhas impressões sobre o que já rolou. Mas, pelamordedeus, não esperem resenhas científicas (com set list, ficha técnica, nomes dos músicos)!

Dito isso, lá vai primeiro esforço da série batizada de "Vi Shows" em referência ao título bisonho da versão que o Hanoi-Hanoi fez para "Vicious", do Lou Reed. A foto é do Enio Jr.

Costumo dizer que faço parte de uma "gangue de show", com a Fernanda, a Andressa e convidados eventuais. Juntos, já nos divertimos horrores (e tocamos o terror) em vários muquifos desta recatada província. Se bobear, fazemos bagunça até em recital de piano.

No entanto, estávamos separados desde o show do mundo livre s/a, em maio. Por isso, o primeiro programa meia-boca que aparecesse seria uma boa oportunidade para reunir a turma. Resumindo: nenhum de nós é grande fã da Karina Buhr, mas as meninas curtem a banda Gentileza e a noitada no Espaço Cult parecia, para mim, uma ótima forma de fugir do papo furado nos botecos da vida.

Assistimos ao último capítulo de Insensato Coração e pouco antes da meia-noite já estávamos no Largo da Ordem. Fiquei positivamente surpreso com o tamanho amplo do Espaço Cult e, mais ainda, com o início da maratona em horário razoável.

PUNHETAGEM

Até gostei da punhetagem instrumental dos baianos do Vendo 147. Som pesado, clone drum (dois baterista e um único bumbo), influência de stoner rock... Mas sempre fico com a sensação de que a maioria das novas bandas instrumentais brasileiras tem medo de se arriscar nos vocais. Como se fosse mais fácil não estruturar canções ou escrever letras.

Seja como for, fiquei ouvindo aquilo e imaginando os cinco num flerte com a tradição musical dos trios elétricos de Salvador. Refiro-me aos primórdios do gênero, quando não havia cantores nos grupos que percorriam as ruas da cidade. O resultado seria algo como "Dodô e Osmar from hell" e levaria a banda a outro patamar criativo.

Também foi engraçado ver alguns indies encarando aquilo como um show de metal. Os meninos batiam cabeça discretamente e tiravam sarro das namoradinhas que não estavam curtindo a barulheira. Acho que não tiveram a manha de ver o Slayer no Master Hall (um dos grandes eventos do ano em Curitóba).

OKTOBERFEST

O lugar já estava razoavelmente preenchido quando o (a?) Gentileza entrou em cena. Entre os incontáveis grupos pós-Los Hermanos curitibanos, o time liderado pelo vocalista/violonista Heitor é o único que me agrada. Principalmente no palco, onde costuma fazer um show divertido.

Mesmo não conseguindo memorizar uma música sequer do sexteto, sempre acabo contagiado pela animação da plateia. Me sinto no pavilhão da Oktoberfest em Blumenau, ainda que o povo identifique influências musicais do Leste Europeu no som deles (será?). Mas eu gostaria mesmo é que fossem mais freaks, anárquicos, frankzappianos.

Naquela altura do campeonato, já havia travado contato com vários conhecidos, especialmente gente do Tuíter (Eder, Priscila, Ariana, Enio, Matheus). Todos, como eu, desconfiados do potencial ao vivo da estrela da noite uma prova de que o primeiro disco-solo da Karina Buhr não é uma unanimidade fora do eixo São Paulo-Recife.

RECONCILIAÇÃO

Quando o show principal começou, corri para a frente do palco. Estava louco para ver de perto o Edgard Scandurra, integrante da banda de apoio da pernambucana (com o trompetista Guilherme Guizado e outras figuras que não reconheci).

Um dos heróis da minha adolescência, o guitarrista havia caído no meu conceito nos últimos anos, graças às tretas que deram fim ao Ira!. Como alguém disse por aí, "Se o Nasi é realmente o filho da puta dessa história, ele está enganando a gente muito bem".

O fato é que, logo na primeira música, rolou uma "reconciliação" com o antigo ídolo. O cara estava tão feliz, tão animado, que deu gosto de vê-lo tocar. Juro que fiquei emocionado. E pensar que o Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, também faz parte da banda (infelizmente, não veio dessa vez).

Mas e a Karina? Vestida com um macacão de paetê dourado, a pernambucana já iniciou a apresentação jogada no chão. Era o sinal de que veríamos um espetáculo de rock and roll, e não um sarau universitário. Dito e feito.

Em pouco menos de uma hora, La Buhr (adoro essas expressões antigas!) dançou, pulou, correu, trepou num ferro, se enrolou no microfone, "foi pra galera"... Se cantou direito, não sei. Mas lavou a alma de quem não aguenta mais a fofura das tiês, tulipas e afins.

Resumo da ópera: a moça pegou todo mundo desprevenido, para o bem e para o mal. Alguns acharam a atuação forçada, fake. Eu prefiro encarar como performática. Para quem já sofreu durante duas horas num teatro, imobilizado, assistindo ao bom-mocismo do Marcelo Jeneci, a zoeira de Karina e sua turma foi simplesmente redentora.

MEUS DISCOS DO SEMESTRE


INTERNACIONAIS

1. Destroyer - Kaputt

2. TV on the Radio - Nine Types of Light

3. Friendly Fires - Pala

4. Buffalo Tom - Skins

5. Tyler, The Creator - Goblin

6. R.E.M. - Collapse into Now

7. Jamie Woon - Mirrorwriting

8. Cornershop - Cornershop and the Double 'O' Groove Of (featuring Bubbley Kaur)

9. Toro y Moi - Underneath the Pine

10. Tahiti 80 - The Past, the Present & the Possible

11. The Weeknd - House of Ballons

12. Liturgy - Aesthethica


NACIONAIS

1. Rubinho Troll - Stinkin Like a Brazilian

2. Lê Almeida - Mono Maçã

3. La Carne - Acústico Mundo Livre

4. Romulo Fróes - Um Labirinto em Cada Pé

5. Rogério Skylab - Skylab X

6. Domenico Lancelotti - Cine Privê

7. Criolo - Nó na Orelha

8. Banda Uó - Me Emoldurei de Presente para te Ter


BONS DISCOS DE 2010 (QUE EU SÓ OUVI EM 2011)

1. Twin Shadow - Forget

2. Skunk Anansie - Wonderlustre

3. Kvelertak - Kvelertak

4. Gang do Eletro - Volume Beta

5. Letuce - Couves

6. Fino Coletivo - Copacabana

Veja também Meus Discos de 2010.

TODO PAPAI TEM PINGUINS SEXUAIS


É possível ser feliz no amor - e livre no sexo? Esta é a questão central de Todo Mundo Tem Problemas Sexuais, outro bom exemplar do cinema "caseiro" do Domingos Oliveira.

Como é de praxe em sua trajetória, a ordem aqui é reunir os amigos, filmar em apartamentos (ou na rua mesmo) e, acima de tudo, gastar pouquíssimo dinheiro. A diferença, dessa vez, é que se trata da adaptação de uma peça de teatro, com trechos dos ensaios e do próprio espetáculo levados à tela.

Ainda assim, o resultado é tão precário, tecnicamente falando, que chegou a causar estranhamento na plateia do Cinesystem Curitiba. Ou melhor: nos poucos incautos que certamente compraram o ingresso pensando em ver uma globochanchada na linha de A Mulher Invisível, Se Eu Fosse Você e afins.

Mas os seis corajosos espectadores que restaram na sala após os dez primeiros minutos de projeção (o blogueiro não conta, pois é fã do diretor) foram recompensados. Porque o filme tem um humor desbocado, chulo e popular à moda antiga, ao mesmo tempo em que levanta temas delicados sobre a vida a dois.

Uma fórmula que, no entanto, só funciona graças à presença do Pedro Cardoso. Não o da televisão, sempre meio contido - e sim o do teatro. Quem já viu o cara em cena sabe do que estou falando. Poucos atores brasileiros conseguem ser engraçados e sensíveis na mesma medida. PC é um deles, e por isso está perfeito em mais esta pérola despretensiosa do mestre Domingos.

PS - No dia seguinte, levei as crianças para ver Os Pinguins do Papai. Melhor do que eu esperava, a comédia-família surpreende pelo tom nonsense e por revelar um Jim Carrey ainda inspirado. Quem tem filhos pequenos pode ir sem medo de errar.

É CHATO


Woody Allen é o meu cineasta predileto. No entanto, confesso: gosto menos dos trabalhos em que ele vai fundo no realismo fantástico (ou mágico, como queiram).

Até curto quando o expediente é usado para o humor nonsense, como em Contos de Nova York. Mas o sentimentalismo de A Rosa Púrpura do Cairo, por exemplo, não faz a minha linha.

Por essa razão extremamente pessoal, Meia-Noite em Paris já seria um forte candidato à lista dos títulos dele que eu só vejo uma vez. Um pressentimento que se confirmou logo aos 20 minutos da projeção.

É quando o alterego de Allen (dessa vez, interpretado por um Owen Wilson menos displicente do que o de costume) se transporta para a Paris dos anos 20 e passa a interagir com a intelectualidade da época. Figuras como Picasso, Fitzgerald, Hemingway, Dalí, etc. Todos propositalmente caricatos - e chatíssimos.

Essa chatice se alastra por toda a a história, inclusive pelas (poucas) piadas. Acrescente aí uma dose de propaganda turística da capital francesa, outra de romantismo clichê e pronto: temos um filme suspostamente sofisticado, feito sob medida para o público "inteligente" se sentir ainda mais culto na sala escura.

Fico esperando a volta do Woody Allen adulto, provocador, agressivo. Porque o de Meia-Noite em Paris, para o meu paladar, precisa urgentemente de um chacoalhão.

VOCÊ É O MAL DA IMPRENSA


É um erro grave imaginar que o dr. Patrão domina o jornal. Ou que os anunciantes fazem o que querem do dr. Patrão e jornalistas.

Este duo tem, claro, alguma influência. Mas quem mais manda na mídia é você, meu caro leitor, ou espectador. E você, consumidor, é o mal da imprensa.

Editores quebram a cabeça diariamente para agradá-lo. O mal da imprensa é que ela não ousa desagradar o leitor. Seu maior defeito é o eufemismo.

Paulo Francis em Waaal - O Dicionário da Corte.

POBRE? NEM TANTO


Pobre Halim! Pobre? Nem tanto. Um guloso de amor carnal: fez da vidinha na província uma festa de prazeres.

Milton Hatoum, em Dois Irmãos.

SEM MEDO DO RIDÍCULO


Eu sabia que Um Novo Despertar seria do tipo oito ou oitenta, ame ou odeie. Afinal, o que esperar de um filme em que o Mel Gibson passa o tempo todo com um fantoche na mão?

É isso mesmo. Aqui, o astro intolerante e beberrão vive um empresário em profunda depressão que acaba criando, sem querer, um metódo bisonho de autoanálise. E, cá entre nós, ninguém melhor do que um maluco para interpretar outro.

Ao se anular, e deixar um boneco em forma de castor falar por ele, Walter Black recupera a força para se relacionar com a família e salvar sua companhia da falência. Como se não bastasse, também vira um "case" midiático nacional.

Mas o que parece ser apenas uma lição de vida barata, no estilo autoajuda, ganha contornos mais dramáticos, graças ao roteiro bem centrado de Kyle Killen (outro talento promissor egresso da tevê). Revela-se, então, uma história sobre as dores que nos acompanham. Ou melhor: sobre como administrar essas dores.

Sem medo do ridículo, a diretora Jodie Foster (e mulher de Gibson na trama) compensa sua narrativa convencional com sensibilidade na condução de atores. No entanto, cabe ao espectador deixar o cinismo de lado e embarcar nessa fábula aparentemente absurda. Do contrário, vou logo avisando, periga você se irritar e sair no meio da sessão...

PS - Meu primeiro "pê ésse" da vez vai para a incrível Jennifer Lawrence (20 aninhos e um futuro brilhante pela frente).

PS2 - É incrível como todos os filmes são comédias para os curitibanos. Acho que já pagam o ingresso rindo. Ontem, gargalharam numa cena de tentativa de suicídio!

OUTRAS CAGADAS QUE OS HOMENS FAZEM


Nada como assistir a uma comédia escrachada, do gênero "homens fazendo merda", logo no primeiro dia de férias. Pena que Se Beber, Não Case 2 deixa muito a desejar.

Não que eu estivesse esperando uma obra-prima. Pelo contrário. Se fosse só uma versão turbinada da primeira parte, já estaria de bom tamanho. Mas o orçamento mais gordo não se refletiu em risadas.

O resultado é um filme movimentado, bom de se ver. Porém com duas ou três piadas realmente engraçadas. Culpa do roteiro formulaico, com as mesmíssimas soluções da história anterior.

Resta a atmosfera barra pesada, com sexo, armas e drogas à vontade - algo surpreendente para um blockbuster tão aguardado. E, como disse minha prima, as fotos dos créditos finais são melhores (espero que isso não tenha sido um spoiler).

PS - Mesmo engrenando apenas na metade, Passe Livre, dos geniais irmãos Farrelly, ainda é a minha comédia preferida de 2001 até aqui. Com Esposa de Mentirinha (que título tosco!) em segundo lugar.

O RIO DE JANEIRO CONTINUA TRASH


Não é de hoje que o Brasil entrou no mapa da cultura pop internacional. Mas não deixa de ser curioso o fato de que as duas maiores estreias de 2011 nos cinemas mundiais são produções ambientadas no Rio de Janeiro.

Juntas, a animação Rio e Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio arrecadaram mais de US$ 110 milhões apenas nos primeiros dias de exibição no circuito americano. Os dois filmes, no entanto, mostram facetas radicalmente diferentes do nosso principal cartão-postal.

Enquanto o primeiro romantiza a cidade (e esbarra na propaganda turística), o outro praticamente não traz os clichês tropicais de costume. Muito pelo contrário. Em cartaz a partir de hoje no país, Velozes 5 se concentra no lado trash - pobre e violento - da capital fluminense.

Com exceção de uma ou outra tomada aérea "bonita", o longa do diretor Justin Lin mostra favelas gigantescas, barracões escuros, feiras bagunçadas e ruas muito sujas. E os vilões, claro, são empresários e policiais corruptos. Ou seja: os clichês, aqui, são os da cinematografia nacional recente, pós-Cidade de Deus.

Neste quinto episódio da franquia, o trio formado por Dominic (Vin Diesel), Brian (Paul Walker) e Mia (Jordana Brewster, filha de brasileira) está foragido da polícia americana e vem parar no destino preferido de nove entre dez fujões do cinema. Escondidos numa "comunidade" (para usar o termo politicamente correto), eles arquitetam um golpe milionário que pode garantir sua liberdade em algum paraíso sem acordo de extradição com os EUA.

O alvo é o gângster Reyes (Joaquim de Almeida), que guarda US$ 100 milhões em muquifos espalhados pela cidade. Como os três não têm condições de realizar o roubo sozinhos, escalam uma equipe multidisciplinar (e multirracial), formada por especialistas em vários tipos de trambiques, alguns deles já conhecidos do público da série.

Mas o grupo tem outro obstáculo pela frente: o superagente do FBI Hobbs (Dwayne "The Rock" Johnson), uma verdadeira máquina de perseguir foragidos. O personagem, por sinal, é um show à parte. De tão caricato, parece saído de um desenho do Cartoon Network - o que só reforça o lado cômico de um filme cujo gênero poderia ser definido como "chanchada de ação".

Por isso, não vale a pena teorizar sobre o retrato negativo (e, muitas vezes, irreal) do Brasil apresentado em Velozes e Furiosos 5. Deixemos essa tarefa para quem levou a sério o verniz social contido em Tropa de Elite, nosso blockbuster de pancadaria por excelência. Aliás, bem que o Capitão Nascimento podia pegar umas dicas com Dominic e companhia. Eles, sim, sabem o que fazer com o vilão no final da história.

PS - Em vez de Sérgio Mendes ou samba-farofa para gringo ouvir, tem MV Bill, D2 e Turbo Trio na trilha sonora.