Ganhei vários presentes de aniversário ontem. E o último foi Juventude, que passou à noite no Canal Brasil.
Trata-se de mais uma produção pequena, barata e deliciosamente imperfeita do Domingos Oliveira. O tema, desta vez, é a velhice, na visão de três amigos que se conhecem há 55 anos.
Nada mais adequado para a data, portanto. E com aquele toque sentimental que só o Domingos sabe dar sem soar piegas (ou muito piegas). Um filme à prova de cínicos, eu diria. Vai reprisar no sábado, às 23h, e no domingo, às 18h30.
Neste álbum conceitual, a cantora de 24 anos liga o passado e o presente da música negra americana à base de muito Prince, Michael Jackson, James Brown, Stevie Wonder, Outkast...
E, por cima de tudo isso, há um molho psicodélico, futurista e performático. O que faz de Janelle uma espécie de Lady Gaga com pretensões mais artísticas (ou uma anti-Lady Gaga).
Se você curte todas essas referências que eu citei, baixe já!
Só há uma solução. Examinar pessoalmente o castelo, deduzir quais são seus pontos fracos e traçar um plano para escapar sozinho.
Mas o pensamento sozinho de nada adianta, porque é o pensamento que teve os pés e mãos atados pela hipnose do carcereiro; pelo hábito, preguiça, "formas de se ver", etc.
É necessário agir. Um homem pode mudar seus hábitos mentais mudando sua maneira de viver; às vezes um só ato pode mudar completamente toda a sua mentalidade.
(...) O importante é que se sinta que um ato de vontade é irreversível.
Não vou mentir. Ouvi esse clássico do Monsueto pela primeira vez nos anos 90, na interpretação do Virna Lisi (grande banda, hein?).
Em seguida, conheci a versão que o Caetano gravou no Araçá Azul. Mas o fato é que, até hoje, vira e mexe eu me pego com essa música na cabeça. Coisas da vida, como diria o Vonnegut...
Na década de 60, os EUA viram o crescimento de uma quantidade de cultos de terapia de grupo, que introduziram nos seus procedimentos vários rituais de toque corporal.
Esssas "apalpadelas de grupo", como eram chamadas, revelaram a necessidade subjacente de contato corporal e, ao mesmo tempo, refletiram as poderosas restrições impostas a isso na comunidade como um todo.
Mas, apesar do grande interesse que despertou, o movimento agora parece ter perdido o seu momento e a sociedade ocidental conservou como um todo a sua tendência geral à privacidade corporal e ao tabu de contato.
Mais um Philip Roth foi para a fita. Ganhei A Humilhação no Dia dos Pais e matei praticamente de uma vez só. Pudera: o livro é curtíssimo, como os outros trabalhos recentes dele.
Aliás, tenho lido por aí algumas críticas negativas sobre essa fase vapt-vupt do escritor - e sua suposta superficialidade. Não sou da turma dos "eruditos" da literatura para fazer uma análise embasada, mas tenho a impressão de que o buraco é bem mais embaixo.
Para mim, o Roth, apesar dos 77 anos, apenas compreendeu que estes são tempos de mensagens urgentes, impactantes, concisas. Experimentou um formato mais econômico, sem perder a finesse, e acabou conquistando uma penca de novos leitores (como eu, ainda um neófito na obra dele).
"Fica a dica", portanto. E o trecho, que é de praxe...
(...) Por causa da dor na coluna, na hora de trepar Axler não podia se deitar em cima de Pegeen, e nem mesmo ficar de lado; assim, ele se punha em décubito dorsal enquanto ela montava nele, apoiando-se com os joelhos e as mãos para não jogar seu peso sobre o pélvis dele.
De início, Pegeen ficava totalmente sem know-how nessa posição, e Axler era obrigado a guiá-la com as duas mãos, indicando-lhe o caminho. "Eu não sei o que fazer", disse ela, tímida. "Você está montada num cavalo", ele respondeu. "Vá em frente." Quando Axler enfiou o polegar no cu de Pegeen, ela suspirou de prazer e cochichou: "Ninguém nunca enfiou nada aí dentro" - "Improvável", ele cochichou em resposta.
Vocês já devem ter percebido que o rrrrrróque contemporâneo não me emociona muito (exatamente o contrário do que acontece com a música negra). Ainda assim, sempre aparece uma coisinha para incluir na lista de melhores da temporada. Em 2009, por exemplo, foi The xx.
Um ano depois, eis que surge a minha esperança branca da vez: Tame Impala, banda australiana altamente lisérgica. Seu disco de estreia, como bem definiu o Guga, é uma espécie de "enciclopédia psicodélica", com influências de várias vertentes do som chapado. Do garagismo ao shoegaze, do stoner ao trip-hop.
Carimbos à parte, o que importa é o frescor das canções, que passam longe da melancolia e/ou afetação tão comum na produção atual. Porém, e sempre há um porém, "este ainda não é o meu álbum de 2010" (como diria o grande filósofo Álvaro Garnero). Mas disso eu falo na semana que vem.
Por hora, fiquem com o link para baixar as 11 faixas de Innerspeaker - e um aperitivo antes de se aventurar.
Aos 89 anos, Dona Ivone Lara é mais uma presença simbólica no palco do que qualquer outra coisa. Fica paradinha, numa cadeira estilo Painho, soltando uns "lalaiás" aqui e ali. Parece a Vovó Zilda, da Família Dinossauro.
Mas o show no Guairão foi maneiro do mesmo jeito. Pela força de vontade dela, pelo conjunto afiado, pelo repertório... Fico no aguardo da próxima atração do projeto Quadra Cultural: Odair José.
Registro histórico da TV Record: Stevie Wonder cantando "We've Only Just Begun", no Brasil, em 1971. Abaixo, a versão clássica - e fantástica - com os Carpenters.
De quebra, um cover do saudoso Grant Lee Buffalo. Aliás, esse disco de releituras dos Carpenters com bandas dos anos 90 é um dos meus preferidos de todos os tempos.
Um filme de ação-cabeça que se passa entre camadas de sonhos. Por hora, é só o que consigo dizer sobre A Origem, que estreia amanhã no Brasil.
Devo ter assimilado só uns 60% da história. Foi o suficiente para sair do cinema doido para ver de novo. E me perguntando: o que é a realidade?
Outro dia tento escrever mais sobre esse "Matrix dos anos 10". De qualquer forma, está recomendadíssimo. Nem que seja só para sair da sessão comentando (algo raro hoje em dia).
Minha terceira experiência com televisão. Dessa vez, ajudando na produção e conduzindo as entrevistas do Ciclojam, que volta ao ar hoje à noite na Lumen TV/Canal Futura.
O Ciclojam fez história no Paraná por registrar, a partir dos anos 90, bandas locais tocando ao vivo e falando sobre seu trabalho. Nada de outro mundo. Mas quem mais teve a manha por aqui? Só o Cyro Ridal.
Quando eu apenas esbarrava nele por aí, sempre fazia questão de dizer que o programa era "muito cruel". Porque expunha os músicos demais, para o bem e para o mal (o que é ótimo).
Em meados do ano passado, já trabalhando com o Cyro na Lumen, fui chamado para dar uma força em mais uma temporada. Ajudei a escolher as bandas e passei dois sábados enfurnado com a equipe no estúdio Gramofone.
Foi um esquema de guerrilha, com todo mundo ralando na faixa, para o custo beirar o zero. Quer dizer... Eu só fiz as entrevistas, comi esfirra e vi nove grupos interessantes da cidade.
A saber: Koti e os Penitentes, Charme Chulo, Giovani Caruso e o Escambau, Poléxia, Diedrich e os Marlenes, Anacrônica, Cassim & Barbária, Mordida e Cosmonave. Todos dando a cara à tapa na edição mais intimista e reveladora do programa (afinal, foi a primeira em estúdio).
Então lá vai o serviço. O Ciclojam vai ao ar todas as quartas, às 22h30 (com reprise aos sábados, no mesmo horário). Na Lumen TV/Canal Futura (16 UHF e 32 NET). Para ver todo o acervo do programa, entre aqui.
A partir de agora, a seção Releases Cretinos se chama Releases Inesquecíveis. Tudo em nome da harmonia.
A BANDA SE DESPEDE
Pendura o microfone, cruza as baquetas, coloca a guitarra no saco; a XXXXX vai parar
Chega um momento da vida em que a resposta à fatídica pergunta – E agora, o que fazer? – é inevitável. Que caminho seguir? Que passo dar? Continuar ou parar? E é assim que muitos grupos musicais e se formam e outras tantas bandas terminam. Já que viver de música – como viver de amor – não é para todos, melhor pensar nas alternativas.
Há quase dez anos, um grupo de meninos se reunia quase que diariamente para fazer música. Assim! O som era o que bastava para preencher o tempo livre, que na época era muito. De encontros casuais, cada um seguindo o seu estilo, a coisa foi ficando séria. Estabeleceu-se, então, a parceria. A música foi se afinando, assim como o grupo. O som dos meninos foi ficando bom. Já não mais agradava apenas a eles, mas quem, de fora, ouvia também gostava muito. E assim, do passar de som na garagem, de uma brincadeira, nascia, na região de XXXXX, a banda paranaense XXXXX.
(...) Eles fizeram a escolha, e a mais difícil. Eles vão parar. (...) É mais uma banda boa que se despede. Para os que ainda querem ouvir um pouquinho do XXXXX, o último show é nesta sexta-feira, a partir das 23h, no XXXXX Bar, em XXXXX.